Queria só deixar aqui registada aquela vez em que vomitei, aproximadamente dez vezes (após ingestão excessiva de álcool durante um jantar animado com os ditos), junto de fotógrafos portugueses conceituados e, mais importante que o "conceito", dos quais admiro o trabalho.
Isto não é um post triste, muito menos uma situação triste.
Greatest moment ever. Dignidade, nenhuma.
amor próprio, e uma kookaburra
Ao Alexandre.
Doutrina é uma coisa
fé é outra.
Quando a fé está no meio da estrada
Os pássaros estão prontos.
- olha, espelho, sou eu.
Doutrina é uma coisa
fé é outra.
Quando a fé está no meio da estrada
Os pássaros estão prontos.
- olha, espelho, sou eu.
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ao menos isto

© Os Gémeos
O bom de 2019 foi o melhor dos meus 2018 e 2019 e, claro está, de 2020.
Não, não me enganei nas contas.
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22:36 terça feira, 7 de janeiro
O dia em que caí de umas escadas e magoei a mão.
2020, o ano das quedas.
Não sou de intrigas, mas parece-me a mim que isto não está a correr muito bem.
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p.
reminder
Este poema é para ti.
É uma oferta de tréguas
dizendo que
nada no teu coração negro
me poderá assustar.
Olhei tempo demais
para o meu próprio coração.
Obrigada pela dádiva
das tuas incertezas.
Eunice de Souza
É uma oferta de tréguas
dizendo que
nada no teu coração negro
me poderá assustar.
Olhei tempo demais
para o meu próprio coração.
Obrigada pela dádiva
das tuas incertezas.
Eunice de Souza
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biblioteca,
poemário
aqueles diários marotos
. dia 30: drama
. dia 31: drama dois
. ainda dia 31: drama três que vai ser explanado. Mãe cai, parte os dois braços, é operada a um deles, Patrícia passa as restantes férias a tentar fazer um equilíbrio mental entre "isto é um sonho" ou "isto é um mundo paralelo". Nenhum deles, é a vida.
. dia 31: drama dois
. ainda dia 31: drama três que vai ser explanado. Mãe cai, parte os dois braços, é operada a um deles, Patrícia passa as restantes férias a tentar fazer um equilíbrio mental entre "isto é um sonho" ou "isto é um mundo paralelo". Nenhum deles, é a vida.
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pois é
Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
em Escrito a Vermelho, de Albano Martins
[roubei ao Ricardo Mariano]
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
em Escrito a Vermelho, de Albano Martins
[roubei ao Ricardo Mariano]
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biblioteca,
poemário
fernando lemos
QUANDO UM DIA ESTIVER MORTO
Quando um dia estiver morto
não me chamem assim de morto
mas digam que fui um fraco
que lutei
Não digam que acabei
mas que estou iludido
Que fiz desertos com túmulos
praias geladas ao passear doentes
Digam que está ali comigo a cor
o ar e a posse
Que fui igual e traído
Que acordei dentro do vulcão
rompi manhãs de veludo
feito um rato
Que confundi papel com outro papel
Que troquei a mão de alguém
por outra mão
o sorriso por um desejo
a cerimónia por acto amoroso
Que troquei as horas por frases inocentes
e as rosas por actos gratuitos
Digam que cruzei mal as linhas
que rasguei papéis de valo
e soquei mulheres
Que amei os velhacos
fui traído com amor
raiva e convicção
Que perdi oportunidades
e das melhores
Que não conheci nem a lei
nem o cheiro do crime
Que abusei da minha força
na fraqueza dos outros
e da fraqueza também
Digam que fui ridículo
e até brilhante
Podem dizer que não roubei
nem fui culpado nas guerras
Quando morrer não digam
Não me chamem assim de morto
Quando um dia estiver morto
não me chamem assim de morto
mas digam que fui um fraco
que lutei
Não digam que acabei
mas que estou iludido
Que fiz desertos com túmulos
praias geladas ao passear doentes
Digam que está ali comigo a cor
o ar e a posse
Que fui igual e traído
Que acordei dentro do vulcão
rompi manhãs de veludo
feito um rato
Que confundi papel com outro papel
Que troquei a mão de alguém
por outra mão
o sorriso por um desejo
a cerimónia por acto amoroso
Que troquei as horas por frases inocentes
e as rosas por actos gratuitos
Digam que cruzei mal as linhas
que rasguei papéis de valo
e soquei mulheres
Que amei os velhacos
fui traído com amor
raiva e convicção
Que perdi oportunidades
e das melhores
Que não conheci nem a lei
nem o cheiro do crime
Que abusei da minha força
na fraqueza dos outros
e da fraqueza também
Digam que fui ridículo
e até brilhante
Podem dizer que não roubei
nem fui culpado nas guerras
Quando morrer não digam
Não me chamem assim de morto
Fernando Lemos
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poemário
pequeno grande armazém
Tive saudades disto.
Não vale a pena contrariar, a vontade logo se orienta, pois é? É.
Não vale a pena contrariar, a vontade logo se orienta, pois é? É.
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p.
queria muito fazer 33 anos para ser, finalmente, esta música
Obra-prima.
E acima de tudo: a verdade, nada mais que a verdade.
*During the taping of VH-1 Storytellers, Billy talked about the meaning of Thirty-Three when he said, The year was 1994 and I just moved into a new house that was eventually going to be a purple Victorian house in Chicago. And this is the first song that I wrote for that album. And um, this song really embodies the spirit of that time. I had just gotten married, I’d just moved into a new house, the band was achieving the kind of success that people only dream of and I was really hopeful with the idea that I was eventually and someday –and it looked like it was going to happen– actually have a happy life. It didn’t quite work out that way. But I don’t think that’s what I really want to emphasize about this particular song. Um, you know, hope is really the key component in life because one must have hope and faith to actually get out of bed and do anything in this world. And um, you know, in my mind at that time, I think I was 27 years old, I thought that I had arrived. I supposedly had everything one would want: the wife, the cat, the house, the car, and the money and the –oh yeah, the fame. And um, but I think what I’m really trying to say here is all I ever really wanted was a happy home.
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grafonola
o teatro dom roberto

O Teatro Dom Roberto, teatro de marionetas pelos Valdevinos.
Este espectáculo vai estar a sul do Tejo no próximo Domingo.
As fotografias são de Ricardo Reis.
[também podia viver aqui]
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Teatro
vinte e três e cinquenta e seis
Está um urso atrás de mim
Números pares são redondos
E a insónia ensina que nem sempre
Nem sempre, repito
O que queremos é o que mais
tememos
Porque temer é uma coisa
morrer por é outra.
Números pares são redondos
E a insónia ensina que nem sempre
Nem sempre, repito
O que queremos é o que mais
tememos
Porque temer é uma coisa
morrer por é outra.
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p.
sophia
A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura. Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça. Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta.
Pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema não fala de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume da tília e do orégão.
É esta relação com o universo que define o poema como poema, como obra de criação poética. Quando há apenas relação com uma matéria há apenas artesanato.
É o artesanato que pede especialização, ciência, trabalho, tempo e uma estética. Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. Mas o artesanato das artes poéticas não nasce de si mesmo, isto é, da relação com uma matéria, como nas artes artesanais. O artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está consubstancialmente unido. Se um poeta diz «obscuro», «amplo», «barco», «pedra» é porque estas palavras nomeiam a sua visão do mundo, a sua ligação com as coisas. Não foram palavras escolhidas esteticamente pela sua beleza, foram escolhidas pela sua realidade, pela sua necessidade, pelo seu poder poético de estabelecer uma aliança. E é da obstinação sem tréguas que a poesia exige que nasce o «obstinado rigor» do poema. O verso é denso, tenso como um arco, exactamente dito, porque os dias foram densos, tensos como arcos, exactamente vividos. O equilíbrio das palavras entre si é o equilíbrio dos momentos entre si.
E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema não fala de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume da tília e do orégão.
É esta relação com o universo que define o poema como poema, como obra de criação poética. Quando há apenas relação com uma matéria há apenas artesanato.
É o artesanato que pede especialização, ciência, trabalho, tempo e uma estética. Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. Mas o artesanato das artes poéticas não nasce de si mesmo, isto é, da relação com uma matéria, como nas artes artesanais. O artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está consubstancialmente unido. Se um poeta diz «obscuro», «amplo», «barco», «pedra» é porque estas palavras nomeiam a sua visão do mundo, a sua ligação com as coisas. Não foram palavras escolhidas esteticamente pela sua beleza, foram escolhidas pela sua realidade, pela sua necessidade, pelo seu poder poético de estabelecer uma aliança. E é da obstinação sem tréguas que a poesia exige que nasce o «obstinado rigor» do poema. O verso é denso, tenso como um arco, exactamente dito, porque os dias foram densos, tensos como arcos, exactamente vividos. O equilíbrio das palavras entre si é o equilíbrio dos momentos entre si.
E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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poemário
é
PREOCUPAÇÕES NATURAIS
Eu não tinha muita coisa e hoje tenho
a soma dos teus passos quando desces
a correr os nossos treze degraus e
me prometes: até logo. Mas se
nada (ou só o nada) está escrito,
quem mais ama é quem mais tem
a recear. Com isso, passo horas
num rebate de dramáticos motivos:
engano-me na roda dos temperos,
ponho sal na cafeteira, maionese
no saleiro, vejo o mel mudar de cor
e se me chama o telefone empalideço
como o rosto do relógio da cozinha.
Só sossego quando as gatas me garantem
que chegaste e posso então, aliviado,
unir-me ao coro de miaus que te recebe,
para mais uma noite roubada ao escuro.
José Miguel Silva
Eu não tinha muita coisa e hoje tenho
a soma dos teus passos quando desces
a correr os nossos treze degraus e
me prometes: até logo. Mas se
nada (ou só o nada) está escrito,
quem mais ama é quem mais tem
a recear. Com isso, passo horas
num rebate de dramáticos motivos:
engano-me na roda dos temperos,
ponho sal na cafeteira, maionese
no saleiro, vejo o mel mudar de cor
e se me chama o telefone empalideço
como o rosto do relógio da cozinha.
Só sossego quando as gatas me garantem
que chegaste e posso então, aliviado,
unir-me ao coro de miaus que te recebe,
para mais uma noite roubada ao escuro.
José Miguel Silva
*roubei ao o poema ensina a cair
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biblioteca,
poemário
o mês de novembro começou assim
. Praia e Outono: um casamento feliz
. Papagaio ao vento - a felicidade
. Atobá-do-cabo
. Comida com muito amor
. Muito amor com comida
. Amor e comida: outro casamento feliz
. Papagaio ao vento - a felicidade
. Atobá-do-cabo
. Comida com muito amor
. Muito amor com comida
. Amor e comida: outro casamento feliz
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precariedade e dignidade
Cada vez que me deparo com a minha vida precária, que na verdade começa a acontecer algumas vezes por dia, apetece-me começar a correr toda nua pela rua abaixo. Dignidade? Hum, eventualmente.
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p.
onda

Watson’s sixth studio album is about having a wave knock you over when you realize everything you have in life can be wiped away in a moment – and then learning how not to drown in the process. During the making of the album, Patrick lost his mother, his longtime drummer left the group, and he and his partner separated. Watson brought a notebook underneath the waves and composed tunes about melancholy while listening to the lonely hymns of mermaids. The songs are about how sometimes you have to sing a love song to yourself when no one else will, allowing the sound carry you and learning to trust where you will land. It is very personal and intimate, and it is the most humble of all their records.
“It’s the difference between singing a solo at a stranger’s grave as a child and singing one at your own mother’s funeral.”
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grafonola
a felicidade é
. Parque Interpretativo da Lagoa Pequena
. Casa da água de 1770, e o seu poço
. Pegadas da Pedra da Mua (sem sucesso, desta vez)
. Cabo Espichel
. O faroleiro do Cabo Espichel
. O farol do Cabo Espichel a funcionar com o sol a pôr-se e a lua cheia ao lado
. Casa da água de 1770, e o seu poço
. Pegadas da Pedra da Mua (sem sucesso, desta vez)
. Cabo Espichel
. O faroleiro do Cabo Espichel
. O farol do Cabo Espichel a funcionar com o sol a pôr-se e a lua cheia ao lado
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'what do you have if you don’t have forever? i guess right now isn’t so bad'
Angel Olsen breaks down every song on her new album All Mirrors
+ https://pitchfork.com/features/song-by-song/angel-olsen-interview-all-mirrors/
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a minha vida numa acção
Sim, eu sou essa pessoa, à beira de uma nacional, à espera que os semáforos abram para passar a passadeira.
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é isso
I don’t like myself very much, so i try not to observe myself too often. I made a documentary once entitled Talking Heads. I asked people two questions: “Who are you” and “What do you want?” Afterwards, I asked myself those questions. I realized that I didn’t have any answers. I don’t know who I am, and I don’t know what I want. If anything, I’d like some peace and quiet, but I’ve never achieved it, and I probably never will. So I will never have what I really want.
Krzysztof Kieslowski
Krzysztof Kieslowski
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