Há demónios que não são nossos.
De nada.
nascer duas vezes
Caminhando sobre o fio da lâmina
forçoso é que desças ao sepulcro.
Mas se te inflama a ideia
de seres duas vezes nascido
arma-te da lira
para enterneceres as sombras.
Natália Correia
forçoso é que desças ao sepulcro.
Mas se te inflama a ideia
de seres duas vezes nascido
arma-te da lira
para enterneceres as sombras.
Natália Correia
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greta thunberg e josé alves
Cientista arrasa a parte do estudo sobre impacto no habitat das aves
Investigador entregou, por iniciativa própria, parecer que denuncia "ataque gritante" à conservação da avifauna em áreas protegidas e que terá consequências que vão além do estuário do Tejo
Deficiente, desactualizado e, pior do que isso, minado de erros graves - esta é a conclusão de um cientista da Universidade de Aveiro sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do novo aeroporto do Montijo. José Alves, investigador especializado no estudo de aves que já publicou vários artigos científicos em revistas prestigiadas como a 'Nature' ou a 'Science', entregou no passado dia 18, quase no final do prazo de consulta pública, um detalhado e demolidor parecer sobre o projecto que acredita que deve ser inviabilizado. Segundo conclui, o EIA não faz uma avaliação actual nem correcta dos possíveis efeitos deste projecto nas aves que vivem (ou apenas passam) nas áreas protegidas (Reserva Natural do Estuário do Tejo e Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo).
A avifauna é apenas uma das frentes avaliadas pelo EIA do Montijo. É o "anexo 6", nota José Alves, que assina o parecer que espera que sirva para que a Agência Portuguesa do Ambiente emita uma declaração desfavorável ao projecto. Os dados e conclusões do EIA sobre as aves baseiam-se numa mera "recolha de informação bibliográfica, muito dela desactualizada e não disponível para a vasta maioria das espécies", denuncia o investigador da Universidade de Aveiro.
Um exemplo: os dados de distribuição e abundância das aves nestes locais foram recolhidos há dez ou quinze anos e não foram sequer validados. As fontes de informação (e respectivas datas de recolha de dados) são expressamente assumidas no EIA, bem como ali se admite a falta de informação para muitas espécies ou sobre eventuais factores de perturbação.
Depois, prossegue o cientista, há ainda erros na aplicação do modelo de perturbação das aves (por ruído) à situação prevista para o aeroporto do Montijo. No EIA, a estimativa apoiou-se num estudo que analisou os efeitos de um ruído emitido durante três segundos, o que claramente não vai corresponder à realidade. Falta também prever os efeitos mais abrangentes das rotas dos aviões a descolar e a aterrar nas zonas de alimentação e refúgio. O resultado são estimativas "muito duvidosas e até erradas". No que se refere a medidas de compensação, o EIA refere apenas a possibilidade da "beneficiação de habitat em zonas de refúgio". É preciso muito mais do que isso, diz José Alves, sublinhando que o documento se limita a considerar (e com erros e falhas) duas ameaças à avifauna: a perturbação pelo ruído e a mortalidade por colisão de aeronaves.
A responsabilidade do rigor
Temendo o pior, o cientista pede pelo menos que, "caso, ainda assim, o projecto avance", seja elaborado um estudo mais detalhado e rigoroso para a adopção de medidas de mitigação ou compensação que possam responder, de facto, aos estragos causados. "Uma avaliação inadequada resultará em medidas de mitigação ou compensação que ficam aquém do impacto real causado pelo projecto", avisa.
O parecer de José Alves, investigador no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, não foi encomendado por ninguém. "Este parecer nasce da minha própria iniciativa como membro da sociedade civil preocupado com o sexto evento de extinção em massa que actualmente vivemos e que tem origem na acção humana. Mas também pela minha responsabilidade profissional como investigador sobre o rigor técnico-científico na área da ecologia e os efeitos de um projecto desta natureza para a conservação da biodiversidade", justifica.
O cientista estudas as aves migradoras há 15 anos do estuário do Tejo, mas também no Árctico e África Ocidental. "Um ataque tão gritante à sua conservação (consagrada na lei) não pode ser assente apenas em decisões políticas que se prendem com a ideia de que o crescimento económico justifica tudo." É possível e desejável fazer diferente neste caso, acredita José Alves. " É possível estimar de forma mais rigorosa os impactos", sublinha, apresentando no seu parecer vários dados actuais.
E as consequência, diz, prometem um longo alcance. "Mais do que a perda da biodiversidade local, como se trata de um estuário com grandes concentrações de aves migradoras, os impactos terão repercussão muito para além do estuário do Tejo e serão sentidos ao longo da rota migratória do Atlântico Leste, da qual este estuário é uma peça fundamental", diz o cientista. É que, explica, há muitas aves migradoras que se reproduzem no Norte do continente europeu e americano, incluindo no Árctico, que usam o estuário do Tejo como local de "invernada". E há outras ainda que migram até África Ocidental e que fazem do estuário do Tejo um ponto de abastecimento nas suas migrações. "Se esta peça do puzzle deixa de cumprir a sua função de 'porto de abrigo', estas aves correm o risco de não conseguir completar as suas migrações anuais, com potenciais implicações na dinâmica global desta espécies."
José Alves nunca viu nada assim. "Desconheço que exista um projecto desta envergadura no limite de uma área protegida e com impactes tão assinaláveis dentro de áreas protegidas a nível nacional e internacional." No entanto, admite que a tentativa não é inédita. "Conheço tentativas noutros países para a elaboração de projectos de grande dimensão com impactos previstos em espécies e/ou habitats com estatuto legal de protecção e que foram chumbados, prevalecendo a aplicação da lei."
Artigo de Andrea Cunha Freitas,
para o Jornal Público de 20 de Setembro 2019
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para o bom e para o mau, uma frase feita
Sometimes things are exactly as they seem, that’s all.
Charles Bukowski
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a preferida, pt 2
Angel Olsen is ready for her close-up
+ https://crackmagazine.net/article/long-reads/angel-olsen-ready-close-up/
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a preferida
Angel Olsen’s songs made people cry. Now she wants them to swoon
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esta pergunta podia ter sido minha, mas foi da mel
How do you forgive somebody whom you love very much but has done something truly terrible?
MEL, TRENTON, USA
Dear Mel,
Forgiveness is a form of self-rescue that goes, at times, against our very nature. Forgiveness can prevent us from becoming the living definition of the injury that has been inflicted upon us - from being consumed by anger, pain, resentment and bitterness. But how difficult it is to sometimes forgive; how unfair it seems to reward offence with compassion. Yet, despite our intuitions, despite the seeming insanity of the enterprise, we must try, because forgiveness can be the way to self-preservation. Forgiveness is an act of self-love where the malignancy you have endured can become the motivating force that helps enlarge the capacity of the heart.
How to forgive the unforgivable? Now there is a question. Sometimes we feel the crime is such a violation, and so egregious, that it is beyond absolution - but the struggle to forgive is where it can find its true meaning. Even the attempt to move toward forgiveness allows us the opportunity to touch the borders of grace. To try is an act of resistance against the forces of malevolence - a form of defiant grace.
There are some who have found ways to forgive all manner of horrors and we look at them with awe. In Michigan, recently, a mother stood in court and told the murderer of her 17-year-old son. “I forgive you from the bottom of my heart. I pray for you as a mother. You are a child to me.” The mother of one of the victims of the Manchester bombing also publicly forgave the murderer of her child. These are forms of defiant grace, by people who refuse to be bowed by the malevolence of the world, and who rise to heights of compassion way beyond the reach of most of us, their acts of forgiveness a saintlike mixture of beauty, lunacy and courage.
So, Mel, how do you forgive the one you love for doing something truly terrible? I would try to see the idea of forgiveness as an act of insubordination, a non-compliance to the forces of malevolence, a recognition that you will not be defined by the offence that has been inflicted upon you. See forgiveness as a gift, not to the person who has committed the injury, but to yourself, in the form of self-protection. The sooner you start the process, the less time you may spend imprisoned by resentment and bitterness, hopefully moving toward a more resilient self. To try and fail is in itself a form of betterment. There are times forgiveness is beyond us but still we must reach, still we must strive.
Love, Nick
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a quem esteja pelas ilhas
as árvores deixam morrer os ramos mais bonitos, pelo colectivo João Leão, Patrícia Moreira, Sílvio Vieira e Sofia Fialho, uma co-produção Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas e Festival Temps d’Images
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Teatro
estação de metro do parque: para pensar

Estas imagens são símbolos e representam ideias maiores que elas próprias.
A estação de metro do Parque*, em Lisboa, é das minhas favoritas. Por circunstância de espera, tive oportunidade de ver com atenção a estação e percebê-la melhor. Deixo aqui o registo de.
*A estação de metro do Parque, (Linha Azul), aberta ao público em 1959, tem projecto dos arquitectos Keil do Amaral e Falcão e Cunha, sendo o revestimento azulejar de Maria Keil. A composição artística criada pela pintora para esta estação é composta por triângulos brancos, verdes, castanhos e pretos. O módulo base, que ocupa um ou dois azulejos, produz um efeito de escala, dando a sensação de existirem vários planos a profundidades diferentes. No âmbito do Plano de Expansão da Rede, que decorreu entre 1994 e 1999, esta estação foi submetida a uma valorização estética, preservando todo o aspecto arquitectural original bem como o revestimento de azulejos, limitado apenas ao átrio de entrada da estação. O restante espaço foi objecto de uma intervenção plástica de grande porte, em azulejos e esculturas, da autoria das artistas plásticas Françoise Schein e Frederica Matta. Os Direitos do Homem e a Expansão e Descobrimentos Portugueses foram as temáticas escolhidas por Françoise Schein para decorar a estação do Parque. Encontramos neste espaço, em azulejo, a inscrição dos 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, promulgada pelas Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948, e os mapas e rotas que os portugueses trilharam na sua epopeia além fronteiras. Fortemente influenciada pelo tom dos azulejos da Galeria dos Reis do Palácio Fronteira, a artista optou pelo azul-cobalto como cor dominante de todo o espaço a decorar, e por recorrer às fábricas de cerâmica Viúva Lamego e Rugo, para pintar e serigrafar os azulejos. Ao longo dos dois lanços de escadas rolantes, os passageiros podem, ainda, apreciar paredes revestidas com azulejos de um azul profundo, pontilhado por esculturas ao nível das abóbodas em alternância com frases de escritores, poetas e filósofos. Propriedade do Metropolitano de Lisboa. Fotografias de Paulo Cintra/Laura Caldas, Arnaldo Sousa e José Carlos Nascimento, datadas de 1980, 1994 e 1995.
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estudos do meio
Ninguém nos disse para apontarmos para o céu
Ninguém proferiu as palavras 'por favor'
Até para isso são precisos dois
E eu já não sei contar
Vou dormir
Nada é mais transversal que a noite.
Ninguém proferiu as palavras 'por favor'
Até para isso são precisos dois
E eu já não sei contar
Vou dormir
Nada é mais transversal que a noite.
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a lamechice é uma parvoíce pegada

Acabei de encontrar isto nos confins do computador com a data de 31 de Janeiro de 2011.
A lamechice continua a ser uma parvoíce pegada, ou não - para bem dos meus pecados.
Não me lembrava disto. Nunca viu a luz do dia, vê agora.
adenda

Broken Porcelain Sculpture
© Bouke De Vries
Even if you are broken you still can be a piece of art in another form.
Rasha Kamil
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há verdades incalculáveis, pt 2
O amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada.
escrito aos 9 anos, por Vitor Barroca Moreira
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há verdades incalculáveis
A 22 de Dezembro de 2015 escrevi que...
O sol também se põe de noite, sempre às horas certas.
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~
I don't ever expect to be reunited with Carl. But, the great thing is that when we were together, for nearly twenty years, we lived with a vivid appreciation of how brief and precious life is... Every single moment that we were alive and we were together was miraculous...not miraculous in the sense of inexplicable or supernatural. We knew we were beneficiaries of chance... That pure chance could be so generous and so kind... That we could find each other...in the vastness of space and the immensity of time... The way he treated me and the way I treated him, the way we took care of each other and our family, while he lived. That is so much more important than the idea I will see him someday. I don't think I'll ever see Carl again. But I saw him. We saw each other. We found each other in the cosmos, and that was wonderful.
Ann Druyan (about her & Carl Sagan)
Ann Druyan (about her & Carl Sagan)
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na insónia, a preferida ii

© Cameron McCool
-
Angel Olsen
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grafonola
barro
Está um bandolim a chorar no andar debaixo
O comboio desanda
O tambor desata
Há alguém que se desmancha, quase sempre
Gostava de saber escrever a data de hoje
E o meu nome em latim
Para que pudesse ter a certeza
Que há coisas que vale a pena marcar a sangue
É uma jarra
Fiz um arranjo de flores, vês?
O comboio desanda
O tambor desata
Há alguém que se desmancha, quase sempre
Gostava de saber escrever a data de hoje
E o meu nome em latim
Para que pudesse ter a certeza
Que há coisas que vale a pena marcar a sangue
É uma jarra
Fiz um arranjo de flores, vês?
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