#10 espera

Uma rapariga tira bilhete na máquina, um rapaz ao meu lado, de camisola vermelha e phones laranja, sorri para o telemóvel, à minha frente, um senhor está ao telemóvel, ao seu lado, uma rapariga muito maquilhada e de calças largas compridas pretas e brancas está, também, ao telemóvel, um rapaz com uma camisa em tons garridos tira bilhete na máquina, ao lado outras pessoas fazem o mesmo, uma senhora com um vestido de verão muito comprido, está bronzeada, tem consigo uma criança loira, uma rapariga vestida de tons escuros está no multibanco, um senhor de camisa azul vai tirar bilhete à máquina, passam um rapaz de calções pretos e outro de calções azuis, um mais forte, outro mais franzino, um rapaz de camisola às riscas azul escuro e azul claro, um outro rapaz de camisa em tons avermelhados, duas raparigas de óculos de sol, um rapaz com uma máquina fotográfica ao pescoço, uma rapariga com uns aros de óculos vermelhos, uma senhora com um saco de pano com vários insectos estampados.

> relicário



© Paul Klee

#9 espera

Uma rapariga com uma saia verde comprida, uma rapariga à minha frente a transcrever algo do telemóvel para papel, tem um fio com um coração, ao meu lado, uma outra rapariga ao telemóvel, no multibanco, três pessoas, uma delas de vermelho, uma rapariga com umas legging pretas e uma risca vermelha de lado, caminha devagar, um casal vai tirar bilhete à máquina, ambos muito bonitos e bem vestidos, uma senhora sentada no banco lá fora, ao lado percebo agora ser uma rapariga concentrada em algo muito estranho no seu telemóvel, levantam-se, dois senhores conversam, um com um pólo vermelho, outro com uma camisa jovem e em padrão, veste também uns calções, uma rapariga com sapatos de salto alto, em que os mesmos são dourados, ao invés do restante sapato que é preto, uma rapariga com calças de ganga amarela, uma adolescente com um vestido estampado com malmequeres.

2



E este poema.

1



Este poema.

s/ título

O que eu quero é uma oliveira, um ninho, um regaço
É em mar alto que se colam as folhas caídas das árvores
É com os pés descalços que se entende isto

Como se lamber alcatrão fosse o mesmo que escrever numa folha suja

Não
- a fragilidade é um alter ego muito bem definido.

#8 espera

Uma rapariga está apoiada nos joelhos, aborrecida, fala com alguém ao telefone, uma rapariga de vestido tira bilhete na máquina, um senhor entra vagaroso e meio perdido, de mochila posta, o segurança está apoiado numa das passagens de bilhetes, duas raparigas de braços dados, uma senhora com uma mala muito pequenina ao ombro, dois senhores atrás dela, despedem-se, lá fora, uma rapariga de túnica branca, um rapaz de camisa aos quadrados azuis e vermelhos, um senhor olha, outro segurança passa, vai a ler um jornal, pára, uma senhora com muita pressa vai falar com um dos seguranças, tem uma t-shirt amarela e umas legging, duas raparigas, adolescentes, passam, uma outra rapariga, de sweater rosa e cabelo muito comprido, tenta perceber como tirar bilhete ao mesmo tempo que fala ao telefone, uma rapariga, também de rosa, tem uns phones, uma senhora ao seu lado, de argolas, está ao telemóvel, uma senhora de camisola às flores procura alguém que está para chegar, uma terceira segurança chegou, tem o cabelo curto, um senhor careca de t-shirt branca e mochila preta segue com pressa, um rapaz de trolley preto e amarelo, uma senhora com a mochila posta pela frente, um rapaz de fato, um senhor com uma mochila igual à minha mas preta, uma rapariga de vestido preto e mala grande.

#7 espera

Um senhor com uma mala de computador na mão, uma senhora de camisa vermelha às riscas brancas a comer um gelado, um rapaz em tons de escuro com uma mochila de computador às costas, um rapaz virado para a linha com uma t-shirt bordeaux, ao lado, um rapaz de camisa aos quadrados azuis, vários azuis, a olhar lá para o fundo, uma senhora com umas calças largas azuis escuras, uma criança num banco cheio, com um livro na mão, um senhor a fumar e com um pólo às riscas rosas e azuis, um senhor ao meu lado com um pólo rosa deita alguma coisa no lixo, olha-me, esbarra com a faixa de metal atrás de nós, uma rapariga com um vestido ao vento, um rapaz bebe uma cerveja, tem uma t-shirt verde com uns dizeres, uma rapariga com um blusão de ganga e uma lancheira, uma mãe, com o filho ao colo, beija-o e sorri, uma rapariga com um lenço verde às bolinhas cinzentas, um rapaz com phones nos ouvidos, encostado a um dos postes da plataforma, uma rapariga com um piercing na dobra entre a boca e o nariz, usa rabo-de-cavalo, um senhor olha uma criança a correr do outro lado, tem uma camisa em tons creme e castanho, uma rapariga muito magra, cansada, uma rapariga muito concentrada ao telefone, está toda de preto, uma rapariga de cabelo preto e caracóis, tem uma mochila amarelo-mostarda, um rapaz de mochila às costas, por cima da mochila tem preso um capacete de mota, uma rapariga de óculos escuros, pedante, tem umas calças violeta, uma senhora grande está carregada, tem extensões mas traz o cabelo preso, uma rapariga com uns óculos escuros com lentes roxas, uma senhora com um saco de compras do lidl, uma senhora com um vestido de ganga, um rapaz com uns phones vermelhos, um outro rapaz deita algo no lixo, uma rapariga, de cabelo pintado de laranja, com quem me costumo cruzar a caminho de casa, um rapaz leva uma bicicleta, uma rapariga com um vestido vermelho.

#6 espera

Primeiro ninguém na plataforma, depois um senhor lá ao fundo de mochila preta às costas, uma senhora senta-se ao meu lado, tem uma camisola rosa e lê uns papéis, uma outra senhora senta-se, sorri, desiste do lugar e vai-se embora, um rapaz de óculos escuros, com uma mala de alça amarelo-fluorescente e à tiracolo, um rapaz alto de camisola azul grande e larga, duas pessoas conversam alto.

#5 espera

Uma rapariga com o cabelo pintado de bordeaux, uma família de estrangeiros, três filhos, um rapaz ao meu lado abana a perna, uma senhora passa o tempo a percorrer a plataforma de um ao lado ao outro, uma senhora da limpeza varre por baixo do banco, duas pessoas vestidas de azul escuro, uma delas com uma lancheira, um rapaz de camisola verde, uma bebé chora.

claro

O mundo é um factor externo.

> cansei de ser sexy

> cansei de ser sexy

> relicário



Braga, década de 50

© Artur Pastor

> relicário


Claire Denis

© Renaud Monfourny

skater girls make better roads

Anos de desejo depois, hoje aprendi a andar de skate - foram ensinar-me.
Isto merece uma etiqueta.

#4 espera

Um senhor com um pólo violeta muito claro, uma senhora com umas calças rosa escuro, um rapaz com uma tatuagem à volta do pulso, um casal de cinzento, pai e filho, o miúdo tem uma câmara fotográfica estampada na t-shirt, uma rapariga de muletas, três pessoas no banco ao telemóvel, uma rapariga de preto a comer uma sandes com panado, uma senhora de óculos e uma blusa vermelha, uma senhora que acende um cigarro, uma rapariga com uma mala em serapilheira, uma rapariga com um vestido igual ao da L., um rapaz à ponta da plataforma a falar ao telefone, um rapaz de azul escuro a ouvir música com phones, um rapaz muito quieto de t-shirt branca, uma rapariga sozinha num banco, duas raparigas, uma a fumar, outra a comer um gelado, uma bebé muito pequenina, com um macacão amarelo e de tranças feitas, uma senhora de calções brancos com bolas pretas, um senhor com uma camisola roxa e um saco de ginásio rosa, um rapaz com farda de trabalho da Leroy Merlin, dois senhores conversam, ambos de verde, uma senhora e uma rapariga, ambas com um saco do lidl, uma rapariga ao telefone com uma comprida camisola amarela com riscas pretas, pergunta-me qual é o sentido da linha, um rapaz espreita a plataforma, está todo de cinzento, uma senhora em tons de rosa, uma rapariga de saltos e toda de amarelo, uma rapariga ao telefone que quase me atropela.

#3 espera

Um senhor de idade, ao meu lado, suspira de alívio ao sentar-se enquanto come um gelado, um segurança está encostado a uma boca de água e passa o tempo a ver o telemóvel, um casal de turistas, ele de camisola amarelo-canário e ela de vestido amarelo-esverdeado, um casal com traços orientais, uma rapariga de livro na mão e macacão verde e rosa, uma rapariga segurança de estatura mais baixa que eu, uma senhora ajeita as calças, tem uma camisola azul-céu, ou azul-mar, um casal discute as sandálias que ela traz calçadas, e ela por sua vez, vem de mão dada a uma criança, a menina pede um gelado, quer muito, sim, sim, sim, um senhor de pele queimada traz um saco de compras numa mão, noutra um cão feliz à trela, um rapaz seguro de si tem uns calções vermelhos e um saco de pano, um casal, ambos muito baixos, de óculos escuros, duas idosas olham os gelados, uma rapariga de vestido vermelho, ao seu lado, o seu companheiro com um carrinho de bebé brinca com a criança, outro casal, é ele, também, que empurra o carrinho, uma rapariga gótica, muito bonita, mãe e filha, ambas cheias de padrões, restante família atrás, um senhor com uma camisola às riscas brancas e azuis, uma rapariga de vestido amarelo, violeta e azul, um rapaz com uma t-shirt que diz waterlost, um rapaz com um trolley, uma rapariga com um trolley, uma outra rapariga com um trolley, esta com uns ténis rosa, os amigos vêm atrás, todos de trolley, uma rapariga toda de preto com um saco de ginásio, uma idosa com calças verde tropa, camisa verde alface e t-shirt violeta, tem dificuldade em andar, um casal tenta perceber o ecrã de partidas, uma senhora toda de preto com um saco de compras, uma família africana vai às casas de banho, um rapaz com uma t-shirt que tem o número 76 na bandeira americana, um casal, ele muito grande e de laranja, ela muito pequena e de verde, uma rapariga de phones nos ouvidos, um rapaz de cabelo pintado de loiro.

#2 espera

Estou sentada entre dois rapazes, um deles tem um rabo de cavalo, ambos estão ao telemóvel, uma senhora tem uma saia muito branca, o segurança tem o típico colete amarelo, uma idosa de bengala, ligeiramente maquilhada, senta-se no nosso banco, agradece a amabilidade de nos termos ajeitado, dois rapazes conversam, um de t-shirt branca às riscas pretas, outro de t-shirt azul e óculos de sol, uma senhora com uma camisola amarela, um rapaz de camisola preta encostado à parede, um outro rapaz encostado a outra parede com uma mala à tira colo que diz piz buin, uma rapariga sentada no chão a fumar, uma rapariga vestida de branco conversa com alguém que não está no meu campo de visão, uma rapariga fala com alguém ao telefone - ao contrário do esperado, muito baixinho, um casal, lá ao fundo, encostado a um banco, ele está de camisa aos quadrados, uma rapariga traz uma mochila aos quadrados vermelhos e pretos.

papel dobrado em quatro



Foi a fazer um refogado
a peso de todos os dias
que entendi - falta-me pouco para
acabar com

isto.

#1 espera

Uma senhora faz croché, três adolescentes estão com um carrinho de bebé, um rapaz bebe uma coca-cola, uma menina olha pelo vidro, um senhor de camisola vermelha está lá fora, um rapaz bebe uma frize de limão e a rapariga ao seu lado come um gelado de frutos vermelhos - partilham uns phones, um senhor com uma camisola de manga-cava está ao meu lado, dois rapazes olham os ecrãs de partidas e chegadas, um rapaz veste uma camisa com um padrão de ananases, há alguém à procura de outro alguém, mãe e filha, de fato de banho, conversam.

> relicário



Leos Carax, 1991

© Renaud Monfourny

flores da calçada, de pedro serpa

A campanha do Pedro ainda está on. Vamos?

elementar

Esta casa mais ou menos habitável
um prego entre paredes
onde existem sombras chinesas que
são ora uma escarpa
ora um amolador
- um beco sem saída.

O que eu quero dizer é que não há nada
mais poderoso do que uma mulher que se ergue das cinzas.

v

condomínio mental

Para além de ser a maluca que apanha lixo na rua, sou também, e agora, a maluca do prédio.
Digo eu.

13, ii

13

ao dia treze de julho de dois mil e dezanove

Fiz voluntariado num canil pela primeira vez.
Houvessem dúvidas: sou uma pessoa de cães, não de pessoas.

a manga de boris



http://patriciaisabelricardo.com/a-manga-de-boris

porque tudo é

Para que saibas que tudo tem um porquê
excepto o universo
ou seja tudo.

em Livro Redondo, de Catarina Nunes de Almeida

agência calipo

Agência Calipo
https://agenciacalipo.com

sophia, ii

Não gosto de falar de mim própria, coisa que não leva a nada. A pessoa que escreve procura intuitivamente tornar-se uma página em branco, criar dentro de si um certo vazio.

Sophia de Mello Breyner

sophia, i

Nesse tempo, ainda mergulhada na infância, eu imaginava que os versos não eram escritos por ninguém. Imaginava que os poemas existiam por si mesmos e que bastaria estar com muita atenção para os ouvir. A poesia era uma coisa que fazia parte da substância do mundo e que se revelava àqueles que a escutavam.

Sophia de Mello Breyner

days

The song 'Uneven Days' attempts to explore the depths of how dependent we can become on other people for our own sense of wholeness and stability. The only thing more hazardous than oversimplifying relationships is over complicating them. Love and surrender are synonyms. Even if I remove love from the equation, mental health and day-to-day perspective maintenance is a razors edge. Maybe acknowledging the unavoidable uneven day, or uneven days, helps avoid uneven months or even years, disse Ben Harper sobre a sua nova música.

pneu

Eu própria saí um plano furado.

green porno






Um dos melhores projectos com os quais já me cruzei em muitos, muitos anos.
Green Porno*, de Isabella Rossellini... Bravo, bravo, bravo. Brava!


*
“It’s not pornographic but it is obscene” Isabella Rossellini warns the audience with a cheeky smile as she plunges into the vibrant and hilarious Green Porno. Dressed elegantly in black, Rossellini stands at a podium alone on the stage, safe for a screen behind her, ready to explore the quirky sophistication of animal reproduction. Rossellini is playful with the audience as she begins her exploration with the erotic nature of flowers along with the sexuality of the common weed. She is eloquent as she personifies nature through proverbs and gender. It’s immediately evident that Rossellini is passionate about biology. She admits to the audience that this fascination with nature and biology originates as far back as her childhood in Italy. The daughter of actress Ingrid Bergman and director Roberto Rossellini we get small glimpses into her life growing up presented with family portraits but ultimately this performance is all about nature and reproduction.

Set to the backdrop of the original Sundance channel shorts, Green Porno is both a stage and film show. Rossellini gives us an introduction into the reproduction of animals such as the blue whale, the duck, the preying mantis and many more. These introductions are then explored in further detail using her short films first seen on Sundance channel. These shorts portray Rossellini herself in full costume as the animal being explored (if you have not seen one, please Youtube it now). These shorts are incredibly thorough as the animal’s relationship and sexual practices are acted out in a manner reminiscent of puppet shows. These shorts are then continued on stage as Rossellini uses props to illustrate nature’s fascinating sex life. Using these stage props, Rossellini illustrates matters such as penis size (a blue whale compared to gorilla), the functions of various vaginas and at one point dons a hamster costume to demonstrate the practice of the hamster mother eating her young.

Scientific and philosophical Rossellini brings elements of society to the stage as she explores the natural occurrences of homosexuality, asexuality, bisexuality and transsexuality. These, she notes, occur without question in nature and thus ponders the reason why these can then be questioned in humans. Nothing is off limits as Rossellini illustrates through a short film the tale of Noah’s Ark bringing to question how he was able to stick to the two-by-two rule if so many animals differ in how they procreate. At times sentimental and existential, Green Porno paints the picture of nature at its most provocative and thought-provoking moments. Thus, the only conclusion that can be made is that Green Porno is absolute brilliance.

informações

Não sei falar. Nunca soube. Fico exausta quando
falo. Todos vocês devem ficar a saber disto.
Nunca chego a dizer exactamente aquilo que
pretendo - fica sempre do outro lado do vidro.
Daí a poluição que me envolve. Um pranto.

Derivo das várias posições no mundo. Da
ignorância, de todos os poemas que comi, de
todos os livros, todos os ídolos (geralmente
esquisitos), todos os palcos e cinemas, balcões,
da família, de todos os amigos. Raros no mundo.
Valiosíssimos. Eu sou eles todos e as viagens que nunca fiz. Sou tudo isso. Não há mais ou menos importância em nada, especificamente - tudo isto é o meu sangue no papel.

Tenho várias salivas. Vário géneros. Acumulei
rostos e corpos. E o teu, o teu, o teu, o teu e
ainda o teu, continuam guardados, para sempre,
em todos os meus lugares. Eu sou tudo o que
vocês fizeram de mim. E tu, meu amor, tu dormes
ainda na minha cama. Planetas nos olhos.
Tecendo melodias. Trazendo gengibre na boca.
Para a minha boca. O teu tear.

Importante é dizer-vos que trago fruta para
todos. Flores. Paciência. Coração. Mesa. Uma
lareira. Delícias. Espaço. Muito espaço.
Jacarandás para ti, Mário! Jacarandás para
sempre. Também para ti, todo o Rossio em
Junho. Abraços com força e ombro. Manta.
A minha intenção é dar-vos uma coisa impossível à partida. Uma invenção.
E estou longe. Estou muito longe para mim.

Passa por aqui, várias vezes por dia, um único
pardal. E nem ele, mais solitário que eu, me
cumprimenta.


em Fumar Mata, de Patrícia Baltazar

i

És mais Isabel do que Patrícia, disse L.

> cansei de ser sexy

vassoura

(...)

Acontece-nos desistir de pensar na felicidade, porque a associamos, sob condição, a uma lista longa e desorbitada de factores. O elenco de 'ses' que vamos somando torna a felicidade inacessível e isso tem um preço: o de conformar a nossa visão com essa declaração de impossibilidade. Um passo importante ocorre, porém, quando temos a coragem de reajustar os nossos motivos de gratidão e de deslumbramento. Recordo-me de um poema antigo que diz: 'Não posso ser mais feliz./ Vou buscar água ao poço./ E varro as folhas do meu pátio'.

José Tolentino Mendonça,
para a Revista Expresso de 22 de Junho de 2019

:

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SINCERITY IS FOREVER IN SEASON

Born in winter.
Bloomed in spring.
Stutter shimmered into summer.
And now, it might be autumn;
It might be.
Sincerity is forever in season.
In the dark, you've gotta sing like you see the sun.
Sing the song for those who sing along.
You, Me, We.


Bon Iver*


insípido



O insípido continua a bombear sangue.