mitologia



O que vês desse lado é uma afirmação.

http://patriciaisabelricardo.com/mitologia

total ficar total



Segue para o 100, ou volta ao início?
Há perguntas, às quais não há alternativa, que são elas mesmas um mistério.

mpagdp

Há um ano, acontecia isto.
Há coisas que não se explicam.

s/ título



Há demasiadas, mas nunca suficientes, vidas atrás.
A cara por detrás disto tudo, porque também (me) é preciso.

© Nuno Santos

maré vaza



Esta vaza poderia ser um género de reflexo, mas não - é outra cousa qualquer.

Maré alta aqui.


prólogo

PRÓLOGO

A poesia é para se ser livre. Não é estanque. Não existem academias ou falsas humildades. Falsas volúpias. Não está na escola ser-se o que não se é. Não devia. O útero do papel no limite, não é formal. É gravidez. É Luz.

A liberdade não é, portanto, formal. É digna mas não é formal. E este útero de que falo, é livre.

Os poemas, a escrita, estão sempre correctos desde que se pareçam com borboletas passando as asas na nossa pele.

A poesia é uma borboleta. Atentíssima. Está na origem dos jardins, da fruta quieta na árvore, das flores desassossegadas. Está na liberdade do voo dos pássaros. Não termina nunca.

O fim do mundo é, só por si, um poema lindo.

É para se ser livre. Para se ter espaço.

A poesia não analisa nada. Realiza, constrói e destrói. Mata.

Estrelas a mais barrando a subida – pouca gente lhe chega.

A minha posição em relação a ela, é a de um animal submisso. Ela toca-me e abro as mãos, estendo os braços. Abro os olhos. Sou a águia. Vejo tudo. Respiro. Voo. Caço.

É para ser livre. Ela caminha soberba. Não é o paraíso.

A poesia é a mais ilustre e verdadeira ave de rapina.


em Catapulta, de Patrícia Baltazar


[roubei à página o poema ensina a cair - ainda]

*



A nascer um trabalho/ projecto dentro do... trabalho.
Para breve.

teorema de desconforto emocional

Ensaio i.

Desajustado, descosido, descolorado, calado, caiado, desmaiado, demasiado, sôfrego, murmurado, cimentado, pardacento, datado, perdido, desmesurado, dolorosamente pesado, catastrófico, duvidoso, divino, líquido, sólido, gasoso, existente, inexistente, excedente, ao rubro, ao lado, saudoso, conciso, com ruído, encarrilhado, axadrezado, amplificado, acumulado, de sobra, de soslaio, de sobressalto, desdobrado, amarrotado, amargurado, desenvolto, duplicado, mastigado, memorizado, ocultado, oculto, encarnado, a toque, a repique, agrafado, desordenado, embrulhado, salgado, regulado, partido, colado, em silêncio, em repouso, ao de leve, de mansinho, arejado, danado, tramado, cantado, escrito, dito, quiçá pintado, azul cristalizado.

teorema de desconforto emocional

Ensaio iv.



+ http://patriciaisabelricardo.com/teorema-de-desconforto-emocional

teorema de desconforto emocional

Ensaio ii.





Ensaio iii.
      


http://patriciaisabelricardo.com/teorema-de-desconforto-emocional

a rodopiar com marianne



Deixou de ser uma questão de perspectiva, mas sim de narrativa.
E de cor. E portanto, imaginemos.

http://patriciaisabelricardo.com/a-rodopiar-com-marianne

reflexo

Que não sabia que era fundo que se via.

No fundo,
pelo fundo,
ao fundo.

> cansei de ser sexy

> cansei de ser sexy

> cansei de ser sexy

É, vou voltar a isto.
Ainda tenho algumas coisas para publicar.

que não vos falte nada - e a mim também não

Uma linha, em linha, com o comboio

Estela

A rodopiar com Marianne

2

Teorema de desconforto emocional

`

Prometi a mim mesmo
explorar o meu vazio
o espaço que ocupo
e não ocuparei
mas continuo à espera

à espera

Ron Padgett

por entre



Hoje, muito a correr.

um homem feliz

Já vendi o orgão [anúncio que deixará de existir] mas não um órgão - até ver.
A uma das pessoas mais humildes que poderia ter encontrado em muito, muito tempo.
Bombeiro, uma filha - o resto da estória vou guardá-la comigo.

estudos para um salão de baile



Com o sol a pôr-se.
Que no fundo, é também uma questão de perspectiva
e o mesmo que dizer, sem exclamar, finalmente.

noite/ fóssil, pt 2



A noite luz, o fóssil presente.
A perspectiva.

Versão um aqui.

http://patriciaisabelricardo.com/noite-fossil-pt-2

quando encontras nas palavras de outros, as tuas

I’m a writer, and everything I write is both a confession and a struggle to understand things about myself and this world in which I live. This is what everyone’s work should be...whether you dance or paint or sing. It is a confession, a baring of your soul, your faults, those things you simply cannot or will not understand or accept. You stumble forward, confused, and you share. If you’re lucky, you learn something.
Arthur Miller

*apesar de cabrão... todos os loucos são maus, todos os bons são loucos; bem, não interessa

10 de junho

Estava aquém,
chorava na plataforma do comboio
e tinha de frente a cura

a verde.

diário de bordo, três mil e cinco e meio

. Tem sido assim: fico cansada logo de manhã, após o banho; a seguir a isso, todo o meu dia é um sacrilégio, toda a interacção com o mundo exterior é dolorosa - se isto vai passar, não sei, esperemos que sim
. Nova regra: falar sempre no plural - eu e os meus fantasmas
. Quase a deixar o instagram - se por um lado lamento, por outro, não lamento grande coisa
. Viva à música, ao cinema e ao teatro - obrigada por me salvarem a vida todos os santos dias
. Vivam os livros em 2ª mão que têm tantas estórias... quão humano e glorioso é encontrar, nestes diamantes em bruto, convites de casamento, botões, cartões, caixas de medicamentos, facturas de hospital, cartas d'amor, pequenas notas, grandes notas, confissões, uma vida inteira
. Obrigada ao meu pai (e à minha mãe) pelo ensinamento; é assim que a gazela juvenil consegue sobreviver na savana

finitto

To erase the possibility of empathy is also to erase the possibility of art. Theater, fiction, horror stories, love stories. This is what art does. Good or bad, it imagines the insides, the heart of the other, whether that heart is full of light or trapped in darkness.

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

três

Na verdade, não tenho mais nada a acrescentar. Hoje.

dois

Aquele cliché: a minha liberdade acaba onde a do outro começa.
Tenhamos presente isto, cabecinhas pensadoras.

um

Para mim, a fotografia tem a ver com o poder de uma imagem. Uma simples imagem pode ter repercussões avassaladoras; em segundos, jamais serei a mesma - e bastou olhar.

auto, pt 5



http://patriciaisabelricardo.com/text

[auto, auto pt 2, auto pt 3, auto pt 4]

muriel

não é nome de sereia, é nome de código.

e assim se faz uma casa



Mensagem de erro do vimeo.

cartas inéditas

Feldafing (Baviera), 17 de Agosto 1994 
Meu Caríssimo José,
Cá estamos, desde há quinze dias, nesta Alemanha de sonhos e ex-pesadelos. O sonho está em frente à janela, e o lago 1 onde se afogou o sonhador wagneriano mais conhecido por Luís de Baviera. O ex-pesadelo, esperemo-lo, fica a uns trinta kilómetros d'aqui e chamou-se, chama-se, Dachau. 
(...) 
Mas como tu já escandalizas por fora talvez faças bem em não forçar a dose, escandalizando por dentro. 
(...) 
A propósito de 'Diário'. Estou aqui, em princípio, com a obrigação moral - via Annie e amigos - de me "diarizar", ou antes, de apanhar os cacos de mim mesmo que ao longo dos anos - e seriam vida se a minha o fosse - fui deixando por agendas e caderninhos. Mas não é certo que leve esta cruzada por contra de outrem, que me quer mais do que a mim mesmo, a bom porto. 
(...) 
Remexer em cinzas de há meio século ou apenas dez anos, é ficar com os dedos, ou mais certeiramente, com a boca a saber a cinza.  E o mais chato é, sobretudo, verificar, como certas pessoas - nós todos? - glosamos sem nos darmos conta, como se os acontecimentos exteriores, mesmo os importantes, nada de especial alterassem, as mesmas obsessões, os mesmos sonhos, ilusões, decepções. E o pior é descobrir que até os termos, as fórmulas, são, tantas vezes, os mesmos. Como invejo os criadores, os que ficcionam realmente a realidade, como tu, que em vez de recolher, com a maior bondade do mundo, apenas a fixam (?) de si mesmos. Não insisto para não me desencorajar mais do que já é meu hábito. E para não continuar uma música que sei de cor e se parece muito com um 'alibi'. 
(...) 
Eduardo

-


Lanzarote, 12 de Setembro de 1994 
Meu querido Eduardo, 
Cansei-me de dizer que os 'Cadernos' não aspiravam a mais que a fixar a passagem do tempo: podiam ser, por exemplo, uma gravação de vídeo, mas sendo eu tão pouco dotado para as artes da imagem (uma máquina fotográfica terá que ser automática se quiser entender-se comigo), e tendo algum jeito para a escrita, pareceu-me que não iria infringir nenhuma regra de comunicação escrevendo um diário sem mais pretensão que essa mesma: reter os dias, fotografá-los (em todo o caso não automaticamente), para poder voltar a eles quando me apetecesse e ter assim a ilusão de haver vivido muito. E essa é realmente a impressão que recebo quando releio o que escrevi então e vou escrevendo agora: que a memória entregue a si mesma, não retém quase nada do que acontece. E nem sequer vale a pena argumentar que retém quase nada do que mais importa, porque bem sabemos que não é assim. 
(...) 
Eu sou o serralheiro mecânico que quis ser escritor e conseguiu sê-lo. Não te esqueças disso nunca. Quando alguém um dia disse a Mário Soares que o Memorial era um bom livro, ele perguntou: 'E como é que o Saramago escreveu um livro bom?' Sim, como raio é que eu poderia escrever um bom livro, mesmo bom não sendo? O nó cego da minha relação com os intelectuais portugueses é aqui que está, querido Eduardo. E não falo de ti, crê-me. Não confundo um sentido crítico, que se expressa no momento certo, com animadas versões latentes ou manifestas que não escolhem ocasiões nem pretextos.
Fico feliz por teres posto finalmente mãos num trabalho de que todos estávamos à espera. Não te invejo a sorte. Vais sofrer muito em cima desses papéis. Mas deixa lá, é para o nosso bem. 
(...)
José


Cartas trocadas entre José Saramago e Eduardo Lourenço,
publicadas no Jornal de Letras (número 1252) de 26 de Setembro de 2018

the lake

So lovely was the loneliness
Of a wild lake, with black rock bound

And the tall trees that towered around

Antony and the Johnsons

diário de bordo, três mil e cinco



Há uns dias, a sul.

o m d l

O Mundo do Livro - e seu livreiro, João Rodrigues Pires, que completou 100 anos.
O artigo aqui.

a viagem não chega, agradecimento

Vem com atraso, mas é sincero.

M, L & P, M & P, A, A, T, P, R, I, E, B, A, S, A, A*, H*, G, R, B, N.
Estas foram as pessoas a quem o livrinho chegou. Muito obrigada a todos.
Quando o tenham tido na mão, espero que vos tenha dito tanto quanto a mim me disseram as imagens assim que as vi.

Nada é estanque, nada chega, até que chegue.
Um abraço,
Patrícia


*por entregar

horácio, o pavão



Um pavão com sete vidas, como os gatos.
Tenho a máquina velhinha, as fotografias ficaram com má qualidade, não sei ao certo porquê - fica a intenção.

http://patriciaisabelricardo.com/horacio-o-pavao

recomeço

Com a (minha) arte.