o bonito trabalho do pedro

Pedro Serpa
https://behance.net/PedroSerpa

instruções para (o) quarto escuro

Abre a boca,
apaga a luz.

Não dispares.

a não primavera

Sorri a um dos teus demónios
e diz-lhe a verdade e
nada mais que a verdade:
não nascem flores no coração.
(As que há são de plástico.)

Em teu nome, dele e dos outros que virão.
Ámen.

contos

A Marta Oliveira foi uma das bonitas pessoas que "trouxe" do deviantart.
A Marta foi à Tanzânia e deparou-se com uma daquelas realidades... E está, neste momento, a fazer o seu melhor para que isso possa mudar.
Diz assim:



Olá malta! 
Quero partilhar convosco um projeto meu e de uma amiga italiana que nasceu depois de uma viagem à Tanzânia que fizemos em Outubro. Na altura o irmão da minha amiga, engenheiro civil, estava a trabalhar num projeto hídrico na aldeia de Kisiju (a 100km da capital, no sul do país), que pretende levar água potável a 6000 pessoas. Aproveitando a sua estadia organizámos a viagem e acabámos por visitar um hospital missionário, o “Nyota Bahari Health Center”, que depende unicamente da boa vontade das irmãs e de alguns incentivos do governo, claramente insuficientes. A gestão dos partos é feita sempre com fé na sorte e no instinto das parteiras, o que nos deixou muito perturbadas. Vimos um bebé nascido no dia anterior que nunca poderá utilizar o braço direito devido a uma compressão dos nervos do ombro, facilmente evitável com os meios necessários. Contaram-nos que dispõem de uma máquina de ultra sons para realizar ecografias mas que infelizmente não têm formação para a utilizar! Neste momento decidimos que tínhamos de agir e fazer o que estava ao nosso alcance, tentando contagiar as pessoas que nos rodeiam. Dia 7 de Abril, em Bolonha, faremos um evento de solidariedade que contará com um jantar, venda de artesanato tanzaniano, uma exposição fotográfica e um concerto! Todo o dinheiro angariado será utilizado para pagar um curso de formação especializado em ecografia e métodos de diagnóstico a uma das freiras do hospital. Terei todo o prazer em receber-vos dia 7 mas a distância poderá ser um problema! Se não puderem saborear um prato de spaghetti na nossa companhia, há sempre maneira de ajudar! Deixo-vos a minha conta PayPal (italiana) ou o meu IBAN português, para minimizar as comissões de transferência. 

IBAN: PT50 0036 0037 99100308800 06 (Marta Oliveira, Montepio Geral) 

Por favor insiram “PROJETO ECOGRAFO” na descrição e deixem-me o vosso e-mail, vamos atualizar-vos regularmente com todos os progressos! Se quiserem saber mais ou tiverem dúvidas sobre o projeto escrevam-me e se puderem PARTILHEM muito! Deixo-vos algumas fotos do hospital*, o link do evento (vai google translator!) e da publicidade ao evento que estamos a fazer (Domani farà bello - Amanhã será mais bonito!) A vocês, que nos ajudarão a transformar um amanhã longe daqui num dia mais bonito, MUITO OBRIGADA!



*


Nyota Bahari Health Center, Kisiju, Tanzania, Africa
Toda a água utilizada no hospital é pluvial, simplesmente filtrada neste poço






Nyota Bahari Health Center, Kisiju, Tanzania, Africa
Uma mãe com os dois filhos, enquanto esperam pela consulta




[como devem ter percebido, as fotografias são da Marta, roubadas para fazer este post]

auto, pt 4



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auto, pt 3



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auto, pt 2



Contacto
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auto



Sobre


auto-crítica

O mundo é um conjunto de pessoas demasiado auto-centradas, como eu.

you want it darker, pt 2

Vai ao Tibete.
Anda de camelo.
Lê a Bíblia.
Tinge os sapatos de azul.
Deixa crescer a barba.
Dá a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assina o Saturday Evening Post.
Mastiga com o lado esquerdo da boca apenas.
Casa-te com uma mulher com uma perna e faz a barba com uma navalha de barbear.
E grava o teu nome no braço dela.

Escova os dentes com gasolina.
Dorme todo o dia e trepa às árvores à noite.
Sê um monge e bebe buckshot e cerveja.
Mete a cabeça debaixo de água e toca violino.
Faz dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mata o teu cão.
Concorre a Presidente da Câmara.
Vive num barril.
Parte a cabeça com um machado.
Planta túlipas à chuva.


Mas não escrevas poesia.


Charles Bukowski

you want it darker

Não existe um tempo inteiro:
temos sempre tantos fios
a correr em paralelo
fios em sentido contrário
que raramente coincidem.

Eugenio Montale

t



Hoje, pela tarde.

como amar um livro, pt 3005

'You can never give people what they want', Anthony said.
'What do you mean?'

(...)

'People always want something from you', he said. 'Your time. Your love. Your money. For you to agree with them and their politics, their point of view. And you can't ever give them what they want.'
'That's a dreary worldview.'
'Let me finish, clown. You can't ever give people what they want. But you can give them something else. You can give them empathy. You can give them understanding. And that's a lot, and enough to give.'

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

como amar um livro, pt 1324

She was worried that posting pictures of herself sipping a mai tai was going to make her look like an asshole.
'What does it matter you are or wether you're drinking a coffee, a mai tai, or a bottle of water?' I asked. 'Aren't they paying your songs so you can... live? Doesn't living include wandering and collecting emotions and drinking a mai tai - not just sitting in a room and writing songs without ever leaving the house?'

(...)

If you're asking your fans to support you, the artist, it shouldn't matter what your choices are as long as you're delivering your side of the bargain. You may be spending the money on guitar picks, mai tais, baby formula, college loans, gas for cars, or coffee to fuel your all-night writing sessions. As long as art is coming out the other side and making your patrons happy, the money you need to live - and "need to live" is hard to define - is almost indistinguishable from the money you need to make art.

(...)

So, a plea.
To the artists, creators, scientists, nonprofit-runners, librarians, strange-thinkers, start-uppers, and inventors, to all people everywhere who are afraid to accept the help, in whatever form it's appearing:
Please, take the donuts.

(...)

Everybody.
Please.
Just take the fucking donuts.

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

como amar um livro, pt 572

Brené Brown has found through her research that women tend to feel shame around the idea of being "never enough": at home, at work, in bed. Never pretty enough, never smart enough, never thin enough, never good enough. Men tend to feel shame around the fear of being "perceived as weak", or more academically: 'fear of being called a pussy'.
Both sexes get trapped in the same box, for different reasons.
If I ask for help, 'I am not enough'.
If I ask for help, 'I am weak'.
It's no wonder so many of us just don't bother to ask.
It's to painful. 

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

como amar um livro, pt 1

Things you get when you couchsurf that you don't get in a hotel:
The rattling sound of pots and silverware in the morning. Btah-rooms with ratty, beloved mismatched towels. Leftover birthday cake. Dark hallways humid with the smell of baking. Looking at weird shit people keep in their medicine cabinets. Cats to pat, who are at first standoffish then decide they love you at four a.m., when you're finally asleep. Walls of Elvis plates. The recaptured feeling of having sleepover party. Dodgy electric blankets. A chance to try on hats. Morning coffee in wineglass for lack oh enough cups. Children of all ages and temperaments who draw pictures for you. The ability to make your own toast. Record players. Wet grass in the backyard sunrise, where the chickens are roosting. Out-of-tune pianos and other strange instruments to fondle. Candle stuck to mantelpieces. The beautiful vision of strangers in their pajamas. Weird teas from around the world. Pinball machines. Pet spiders. Latches that don't quite work. Glow-in-the-dark things on the ceiling.
Late-night and early-morning stories about love, death, hardship, and heartbreak.
The collision of life. Art for the blender.
The dots connecting.

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

> relicário



Cigarra
Denver, 2018

© Wendi Schneider

> relicário



Pensamentos de silêncio
Nova Orleães, 2012

© Wendi Schneider

garden state



Garden State (2004), Zach Braff

Lugares obrigatórios, de tempos a tempos.

joyce didonato

Joyce Didonato diz que traz consigo algo que Jonathan Larson disse uma vez: que o oposto à guerra não é a paz, é a criação. E o seu discurso fabuloso de como a música salva vidas e é, per si, um salva-vidas. Não é por acaso que o seu concerto, com a sua maravilhosa orquestra, tem por nome Guerra e Paz: Harmonia através da Música. Sim, querida Joyce, não poderia estar mais de acordo. Com tudo. Grata.

E sim, este é um daqueles posts da série "a rtp2 e o serviço público, agora".

o mundo é

a fingir.

world wide web

De uma forma muito superficial, porque nada é estanque, seria hipócrita de minha parte dizer que não, que as redes sociais não me interessam; agarrar em muito bons argumentos, que os há, para defender a minha posição. Mas não, vou optar pela honestidade: não consegui. Não consegui largar, em grande escala e como estava previsto, o instagram, por exemplo. Todo o meu trabalho fotográfico (abre e fecha aspas) passa pela partilha online. Desde sempre. mIRC, sapo, olhares, deviantart, myspace, livejournal, fotolog, photo blog, hi5, blogger, flickr, vimeo, facebook, tumblr, etc., muitos eteceteras e dezassete anos depois. Foi sempre assim e assim será, porque também eu necessito da conexão com o outro. Do bonito que pode ser isto tudo, tudo isto.

Para acrescentar, acabei de dar vida ao twitter, (sem) culpa da Amanda (Palmer).
Sem medos.

das verdades absolutas

A reflexão da paisagem no homem é activa e constante, A paisagem não é uma coisa inanimada; tem uma alma que actua com amor ou dor sobre as nossas ideias ou sentimentos, transmitindo-lhes o quer que é da sua essência, da sua vaga e remota qualidade que, neles, conquista acção moral e consciente.
Por isso, a paisagem representa um grande papel na nossa existência; tem sobre nós como que um poder de herança, igual ao dos fantasmas de avoengos.

em A Arte de Ser Português, de Teixeira de Pascoaes


*roubei à Betânia

> relicário



Dublin, 1966

© Evelyn Hofer

estado ou: se eu fosse um poema

A casa é de onde se começa. À medida que envelhecemos
O mundo fica mais estranho, o padrão mais complicado
De mortos e de vivos. Não o momento intenso
Isolado, sem antes nem depois,
Mas uma vida inteira a arder em cada momento
E não a vida inteira de apenas um homem
Mas de velhas pedras que não podem ser decifradas.
Há um tempo para o anoitecer sob a luz das estrelas,
Um tempo para o anoitecer sob a luz do candeeiro
(A noite com o álbum de fotografias)
O amor é mais aproximadamente ele próprio
Quando o aqui e o agora deixam de importar.
Os homens quando velhos deviam ser exploradores
Aqui ou acolá não importa
Temos de estar quietos e quietos mover-nos
Para uma outra intensidade
Para uma ulterior união, um comungar mais fundo
Através do frio escuro e da desolação vazia,
O grito da onda, o grito do vento, as vastas águas
Da procelária e do golfinho. No meu fim está o meu começo.

T. S. Eliot
(tradução de Gualter Cunha)

rios de portugal

Um livro de Maria João Feio e Verónica Ferreira.
O seu download aqui.

a pergunta que importa

Já dançaram no corredor de casa hoje?

território



Acabado a algum custo.

http://patriciaisabelricardo.com/territorio


[e sem querer, a descrição do blogue em imagens]

confessionário

Enriquecedor a um nível quase espiritual (seja o que isto signifique) é quando o teu trabalho se mistura com o fim-de-semana, e ambos se misturam com amizade em maiúsculas. Conversamos sempre muito, rimos de igual forma. Hoje, numa dessas conversas, e em jeito de gargalhada, eu confessava que houve uma altura da minha vida em que me sentia dolorasamente estagnada, que via o mundo à minha volta numa mudança desenfreada, desenvolta e eu permanecia exactamente igual e no mesmo lugar; mas, numa epifania e dez anos depois, entendi: quem estava a mudar era eu. Sorri.

a noite, a serra e os lobos



O ano passado acontecia isto.

A noite, a serra e os lobos
http://patriciaisabelricardo.com/a-noite-a-serra-e-os-lobos

todos os oito de março



Este fundo preto não significa apenas luto.
É sinal de força, coragem, resistência, verdade.
Até em caminho árduo, nos é possível.

A todas as mulheres, e a todos os homens, um longo abraço.
Ontem, hoje, sempre. O sol nasce para todos. E é tão bonito.

s

Ama-San (2016), Cláudia Varejão.
A rtp2 e o serviço público, agora.

> relicário



© Masao Yamamoto

> relicário



Anemone nemorosa
Austrália, 1939

© Olive Cotton 

recolhas importantes



© Ana Gil

Dêem-me duas velhinhas, eu dou-vos o universo (2013)
Recolhas musicais portuguesas por Tiago Pereira

O disco existia para download gratuito neste link, infelizmente já não.

a passagem do tempo, no início de março



Um tique-taque lá muito ao longe, apenas com o volume muito alto.

ouve



Faz sempre marcha atrás, é pelas costas que se vê melhor.

http://insipidolevacento.blogspot.com

al riba del tejo

exorcizar, pt 4

It has to start with the art. The songs had to touch people initially, and mean something, for anything to work at all. The art, not the artist, is what fundamentally draws the net into being. The net was then tightened and strengthened by a collection of interactions and exchanges I've had, personally, whether in live venues or online, with members of my community.

(...)

The whole point of being an artist, I thought, was to be connected to people.

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

exorcizar, pt 3

The spirit of an artist's gifts can awake our own.

In my darkness hours, I still go to my secret stash of medicine-music to comfort me, like a familiar childhood blanket, and cocoon myself in the songs of Kimya Dawson, Leonard Cohen, or Robyn Hitchcock, who seem to be expressing some inexpressible thing inside of me. And listening to those songs performed live, in concert, and sharing that blanket feeling with a crowd of strangers, gives me a feeling of humanhood that I don't often get to experience; it's the closest thing I Have to church.
When the gift circulates, we feel the very essence of art and life not just in the words and songs, but also in our deep desire to share them with one another.

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

exorcizar, pt 2

I've played in every venue imaginable over the last fifteen years, in fancy old theaters and shitty sports bars, in secret underground piano bars with capacities of forty people, to crowds of thousands in sports arena.
But I maintain: no performing-art form can ever achieve the condition of The Eight-Foot Bride.
It was like breaking down a compound into its essential elements, then down to an atom, then down to an irreducible proton.
Such profound encounters - like the deeply moving exchanges I'd have with broken people who seemed to have found some sort of salvation in the accidental, beautiful moment of connection with a stranger painted white on a street corner - cannot happen on a safe stage with a curtain. Magical things can happen there, but not this. The moment of being able to say, unaccompained by narrative:
«Thank you... I see you.»

(...)

It cannot get any simpler than a painted person on a box, a living human question mark, asking:
«Love?»
And a passing stranger, rattled out of the rhythm of a mundane existence, answering:
«Yes.
Love.»

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

exorcizar

Over the years, though, I got used to it, and instead of taking it personally, I began to understand:
Sometimes people just don't want the flower.
Sometimes you have to let them walk away.

em The Art of Asking, de Amanda Palmer

piquenique mpagdp



[Último piquenique em Monforte]


Piquenique Musical MPAGDP
Viana do Castelo, 7 de Abril de 2019

Para um modelo social diferente, baseado no sentir, na partilha e na escuta. Não ouvir, mas escutar, sentir a natureza, os passarinhos. O que se propõe é do mais simples que há, cada um traz o seu saber e a sua alimentação e junta-se aos demais. Sem hierarquias e sem palcos, todos se juntam para cantar e dançar o que lhes apetecer no momento. Partilhando a sua comida e a sua música. Sem sistema de som, sem produção. Apenas sentindo o mundo à sua volta e fruindo com o outro. Aprendendo coisas de outras terras, provando outros sabores. Os tempos que vivemos são difíceis, a sociedade está demasiado fragmentada, é preciso tolerância, é preciso criar novos modelos para se poder estar. Este é apenas um deles, porque mais do que organizar um piquenique, o que se quer mesmo aqui, é propor um modelo social diferente. Por isso quando vos convidamos a vir, estamos a dizer que todos podemos fazer um mundo melhor, só depende de nós, escreveu o Tiago Pereira.

o que dizem os teus meses?

Há um ano atrás no hospital.