quarta-feira, 25 de março de 2020

dentro

uma carta (que não minha)

Dear artists,

This is what we train for.
This moment is a health crisis, a brutal one. It is also a crisis of meaning. It is a crisis of connection, of story. It is a crisis of who we are to each other and the agreements that hold us together. And those are things we artists know how to work on. 
The script for how we will be together in this time has not been written. Artists will have a huge impact on that story. 
My longtime dance collaborators and I used to say: All our art making and community building are really just basic training for some future moment of crisis. We were strengthening muscles for the rupture or emergency to come. And here we are.


Your skills are sorely needed.
If you mostly hang out with artists, you might think your skills as an artist are normal. They are not. Few people have the range, depth of practice, and follow-through to discover and manifest new visions. 
Artists navigate the unknown. We go in our studios and ask new questions, pushing away from shore and into uncertainty. In this time of roiling uncertainty, we know how to stay awake and responsive, and how to help others do the same. 
Artists build possible futures. This moment desperately needs futures beyond the sobering medical news and the jarring contortions of policies and markets. 
We are connectors, conveners, community builders.
We understand rhythm, flow, and negative space. Not everything we do right now needs to bedoing. Silence is a way of telling. Stillness is movement. 
We bear witness. We listen to and reveal what it is like to be alive right now. 
We use what we have on hand to build what we need. We make sculptures from discarded materials, dances out of everyday gestures, music from found sounds. At a time when many are lamenting what is being taken away, we know how to begin with what we have. 
We create the images and songs and dances and stories that are needed, that comfort and challenge and inspire, that return us to our deeper selves or urge us forward into transformation. 
We build alternative economies based in collaboration, barter, D.I.Y. resourcefulness, and repurposing what others do not value.
We challenge assumptions and reframe the world. How we see this current emergency and how we see ourselves within it will determine how we emerge from it. Artists look past the noise to deeper, more radical possibilities.



I don’t know what your art is. I don’t know your connections to community. But wherever you are, I call on you to unleash your practice as an artist and maker and re-imaginer.
In this crisis of meaning, you are first responders. 
You don’t need to save the world. You need only carry your gifts and skills into this present challenge. A concert out your window. A public ritual you and your neighbors can do from your front steps. An expressive moment added to an online conversation. A project to mourn what is lost, a project to invite what is yet to come. 
Use your collaboration skills to organize your neighbors, or your D.I.Y. skills to build something from nothing. Or declare these weeks of separation an artist residency.



Make the art this moment needs.
May we be completely safe with our health and bold as all hell in our practice. 
This is what we train for. 


yours,
andrew simonet

!

Não, não #VaiFicarTudoBem
+ https://manifesto74.blogspot.com/2020/03/nao-nao-vaificartudobem.html

uma carta

Não é com grande sabedoria que vou escrever sobre, aliás, por esta altura escrever sobre o que quer que seja é, para mim, uma vitória. E também não sei do que falo, nunca; se alguma vez pareceu, não se iludam, é a fingir.

Têm sido dias de pura... procura. Já lá vamos.

Até há três dias atrás o pessimismo ainda não tinha chegado totalmente, tinha comigo um auto-controlo incrível, raro, que fez de mim mesma uma aliada. Não me permitia iludir, mas também não deslizava pelo buraco negro que, efectivamente, existe. No entanto, e sem surpresa, acabou o auto-controlo. Voltei a ser a minha própria inimiga, a amiga de sempre - velhas companheiras. Além do pessimismo, do buraco negro, de eu própria ser um problema, e de todas as metáforas e mecanismos que vá arranjando para o que estou a passar, começou a ser evidente a, nada mais nada menos: realidade.

Deparo-me agora, pelos quais já julgava ter passado, com os seguintes estados: desespero, impotência, desilusão, loucura, pânico, ansiedade, tristeza, silêncio, desamparo, mágoa, vitimização, desconsolo, solidão, impasse, confusão, revolta, inveja, amargura...
E não tenho sequer oportunidade de os perceber, para os libertar de seguida, porque acontece tudo, acontecem todos, em catadupa.

Aí, surge sem a ter accionado conscientemente, a procura - mais do que nunca, de mim mesma. E sem surpresa: não me encontro. Devo dizer que os meus meios de sobrevivência estão activos e é, na verdade, a única coisa a funcionar a pleno. Tentei explicar isto por palavras, mas não consigo. É impossível a exactidão. É impossível a coerência. É impossível a própria explicação.

Não sei como conseguirei permanecer viva depois disto, certa de que ilesa não sairei; e o legado que gostava de deixar não será o mesmo que, um dia, idealizei. Não há espaço para romantismo, gostava de ter uma mensagem de amor, mas a única coisa que tenho comigo é a impossibilidade do ser, que é por si só perigoso, e muitas vezes, nulo.

a...guardando [espera 3/9]



A...guardando, nova criação p/ adulto animateatro
A estrear breve, breve.

Exercício: espera [3/9]

a...guardando



A...guardando, nova criação p/ adulto animateatro
A estrear breve, breve.

Exercício: espera

rede solidária (lx)

Rede Solidária de Lisboa
http://redesolidaria.pt/

terça-feira, 24 de março de 2020

> relicário



Caroll Spinney como Popas

segunda-feira, 23 de março de 2020

!

a noite passada acordei com o teu beijo - não

A noite passada sonhei que tinha uns lençóis a enxugar, que entretanto estavam a voar, e eu, como forma de salvação dos mesmos, peguei na única coisa que tinha na mala: uma sandes.

Survive mode: on.

lindo, lindo, lindo

eu e os meus amigos imaginários





*

domingo, 22 de março de 2020

sombra ou imaginário

#136





*


Eu e os meus amigos imaginários.
Hoje, a sul.


**as bocas que fiz correram mal, remendei, não estou satisfeita, remendarei novamente se me apetecer

> relicário



Sucateiro com papagaio no ombro
Nova Iorque, 1939

© Walker Evans

> relicário



Cate Blanchett, 2004

© Annie Leibovitz

> dicionário

tur·ba·mul·ta
substantivo feminino

depreciativo
Grande número de gente reunida. = MAGOTE, MULTIDÃO, POPULAÇA
Grande número de gente desordenada ou em tumulto. = TROPEL

em Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

bbc vida selvagem

A Natureza é tão perfeita e tão generosa. Comove-me. Não é um entendimento para todos, pessoalmente ainda bem - é o chamado há males que vêm por bem. Em biliões de indivíduos no mundo, poucos se conseguem conectar honestamente com a mesma. Não há sinceridade entre o Homem e a Natureza, perdeu-se para sempre no tempo. Repito: não é para todos, e ainda bem. É preciosa demais para quem venha por mal, e há tanta gente que vem por mal. O egoísmo, a ganância, a luxúria... são muitos séculos a construir pilares como estes, é tarde para que nos consigamos distanciar dos mesmos. Só a verdade e a pureza funcionam para o mundo natural. Somos persona non grata e já não possuímos as características que fariam digna a nossa existência; não somos dignos. Somos ambiciosos, preferimos, por exemplo, a imortalidade a uma vida curta e completa. É tão triste. A Natureza tem-nos estado a avisar da forma mais capaz possível, e nós continuamos a não aprender. Estaremos aqui, os honestos, a ouvi-la com atenção e a dar-lhe o respeito que merece. Para Ela, e para mim, o respeito também é ser livre.


*este não é um post triste

diário de bordo, 90345

. Farta de lives (pl'amordedeus)
. Farta de "famosos" a "ler" poemas e alguém tem que dizer isto: vocês não sabem "ler" poemas (excepto a Raquel Bulha)
. Farta de burgueses
. E não menos importante: todo o fim tem o seu início

sábado, 21 de março de 2020

,,

A felicidade não é contentamento, mas sim poder sofrer por uma criatura cuja falta nos faz sentir violentamente que vivemos.

em O deus nu, de Robert Margerit

,

Durante três dias proibi-me de abrir este caderno. Ontem e hoje, escrevi um capítulo inteiro no meu livro em curso. Mas não posso deixar de voltar a estas notas. Tenho a impressão de que elas me libertam. À força de me inclinar mais afincadamente sobre estas recordações, de analisar com maior minúcia - e mais intelectualmente - as minhas sensações, acabarei talvez por descobrir nelas não sei que fórmula, que "chave", a qual, achada e proferida, faça quebrar o encanto - uma fórmula mágica contra o feitiço que me tem cativo.

em O deus nu, de Robert Margerit

95%



O poema de amor para mim mesma é: tu consegues.

s/ título



Dia pesado.

\



Aqui, de onde roubei a imagem, há uma surpresa em cada ave.
Já valeu a pena levantar-me da cama.

sexta-feira, 20 de março de 2020

um país sem cultura é

um país ___________________.
Certo.

não é domingo, mas é como se fosse

PEQUENA ELEGIA CHAMADA DOMINGO

O domingo era uma coisa pequena.
Uma coisa tão pequena
que cabia inteirinha nos teus olhos.
Nas tuas mãos
estavam os montes e os rios
e as nuvens.
Mas as rosas,
as rosas estavam na tua boca.


Eugénio de Andrade


uma janela suja e a primavera

unearthed

no lusco-fusco, árvores



*Claramente preciso de ajuda. Tive que fazer um upgrade no vimeo (ninguém me apontou uma arma à cabeça, mas...) por causa desta brincadeira dos vídeos. O fim do mundo em cuecas.

a...guardando [espera 2/9]



A...guardando, nova criação p/ adulto animateatro
A estrear breve, breve.

Exercício: espera [2/9]


- O que é ser breve? O que é estar para breve? Sem nos apercebermos, aprenderemos novamente este conceito... de peito aberto. -

> dos cartazes bonitos



© LAPO (?)

> dos cartazes bonitos



Autor desconhecido

quinta-feira, 19 de março de 2020

^



© Pablo Luebert

uma mão é um pássaro

*que mora(m) longe



Ao meu pai, aos meus pais.
Muitas saudades...

quarta-feira, 18 de março de 2020

o que seja, ii

menos é mais é uma equação

consideremos isto uma obra-prima



When time pulls lives apart
Hold your own
When everything is fluid, and when nothing can be known with any certainty
Hold your own
Hold it 'til you feel it there
As dark, and dense, and wet as earth
As vast, and bright, and sweet as air
When all there is
Is knowing that you feel what you are feeling
Hold your own
Ask your hands to know the things they hold
I know the days are reeling past in such squealing blasts
But stop for breath and you will know it's yours
Swaying like an open door when storms are coming
Hold
Time is an onslaught
Love is a mission
We work for vocation until
In remission
We wish we'd had patience and given more time to our children
Feel each decision that you make
Make it, hold it
Hold your own
Hold your lovers
Hold their hands
Hold their breasts in your hands, like your hands were their bras
Hold their face in your palms like a prayer
Hold them all night, feel them hold back
Don't hold back
Hold your own
Every pain
Every grievance
Every stab of shame
Every day spent with a demon in your brain giving chase
Hold it
Know the wolves that hunt you
In time, they will be the dogs that bring your slippers
Love them right and you will feel them kiss you when they come to bite
Hhot snouts digging out your cuddles with their bloody muzzles
Hold
Nothing you can buy will ever make you more whole
This whole thing thrives on us feeling always incomplete
And it is why we will search for happiness in whatever thing it is we crave in the moment
And it is why we can never really find it there
It is why you will sit there with the lover that you fought for
In the car you sweated years to buy
Wearing the ring you dreamed of all your life
And some part of you will still be unsure that this is what you really want
Stop craving
Hold your own
But if you're satisfied with where you're at, with who you are
You won't need to buy new make-up, or new outfits, or new pots and pans
To cook new exciting recipes
For new exciting people
To make yourself feel like the new exciting person, you think you're supposed to be
Happiness, the brand, is not happiness
We are smarter than they think we are
They take us all for idiots
But that's their problem
When we behave like idiots
It becomes our problem
So hold your own
Breathe deep on a freezing beach
Taste the salt of friendship
Notice the movement of a stranger
Hold your own
And let it be
Catching

isto ii



Este poema.

isto

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração


em Homem de Palavra(s), de Ruy Belo


*trouxe da Betânia

a...guardando



A...guardando, nova criação p/ adulto animateatro
A estrear breve, breve.

Exercício: espera


*
A...guardando será uma das novas criações p/ adulto da Animateatro, a estrear em 2020. Contempla o tempo, trocadilho por acaso mas certeiro - contemplação, um dos pilares deste nosso relógio universal; o tempo, essa medida extensa, complexa, assustadora e bela.

Em forma de levantamento da criação, foram feitos três exercícios, todos em locais distintos: espaço (publicações anteriores), espera e repetição (a partilhar no futuro).

Segue-se a espera, essa virtude que trazemos debaixo do braço e que não poderia estar mais actual.

Fui a privilegiada, a feliz contemplada responsável de registar em som e imagem (fotografia e vídeo), portanto o audio visual, de todo o processo de levantamento da mesma. E não consigo distanciar-me sem tornar isto demasiadamente pessoal. Porque sim, e porque sim, e porque sim.

a...guardando [espera 1/9]




A...guardando, nova criação p/ adulto animateatro
A estrear breve, breve.

Exercício: espera [1/9]

terça-feira, 17 de março de 2020

living with

ou então já apagavas esta aplicação



Sinto que o meu telefone está a querer falar comigo.

faith



Bon Iver (ou para ser mais precisa, Justin Vernon)

© Graham Tolbert & Crystal Quinn

sopa com cenoura e bróculos

Primeiro dia em casa e, ao invés de trabalhar, não fiz absolutamente nada (mentira: fui à farmácia porque doenças crónicas). Permaneci entre a inércia, a preguiça, a solidão... Somos bichos tão caprichosos, tão insatisfeitos, tão influenciados pela própria condição. Tão sós, diria. E no entanto, todos o mesmo.

Vou fazer sopa.

um jarro, uma epopeia

um jarro, uma epopeia

segunda-feira, 16 de março de 2020

abre, fecha, abre - respira



Ou la vie en rose.

abre, fecha, abre - respira



Ou la vie en rose.