quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
e sobretudo
Não entres como turista no coração de uma mulher -
a tirar fotos,
a deixar latas de cerveja,
procurando apenas catedrais imensas
e estátuas transparentes,
com a mochila cheia de mapas
e fazendo refeições rápidas;
há um país
sete cidades
uma cordilheira e um inverno
no coração de uma mulher.
não bebas lá apenas um copo de Mar.
não entres de avião:
apanha o comboio da meia lua;
não reveles lá as tuas fotos numa hora;
se não fizer demasiado frio
entra nu,
não leves guarda-chuva
e sobretudo não cortes árvores
no coração de uma mulher
não costumam voltar a crescer.
José María Zonta
a tirar fotos,
a deixar latas de cerveja,
procurando apenas catedrais imensas
e estátuas transparentes,
com a mochila cheia de mapas
e fazendo refeições rápidas;
há um país
sete cidades
uma cordilheira e um inverno
no coração de uma mulher.
não bebas lá apenas um copo de Mar.
não entres de avião:
apanha o comboio da meia lua;
não reveles lá as tuas fotos numa hora;
se não fizer demasiado frio
entra nu,
não leves guarda-chuva
e sobretudo não cortes árvores
no coração de uma mulher
não costumam voltar a crescer.
José María Zonta
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fio
+ https://patriciaisabelricardo.com/fio
[má qualidade das imagens por aqui, melhor no site]
*um amigo, o Paulo, tem um projecto musical de nome Poros, e pediu-me se poderia ele próprio musicar estas fotografias. Claro que sim, como não? Comigo a sussurrar pelo meio. Eis a primeira: https://youtube.com/watch?v=glX2WWGeJrw
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020
!
Angel Olsen: "Não tenho nada a perder"
+ https://timeout.pt/lisboa/pt/musica/angel-olsen-nao-tenho-nada-a-perder
+ https://timeout.pt/lisboa/pt/musica/angel-olsen-nao-tenho-nada-a-perder
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
the fear, sir, the fear
Today, a dear friend of mine was expressing some concerns about the future of his art practice. In response, I tried to formulate some of my old thoughts to provide useful feedback. Perhaps?
Over the past twenty years, I have been working on and developing a very particular type of cinema, which I believe is formal, personal, and radical. From the very first day until this very moment, distributing these films has been tremendously challenging. Fighting the system and forcing yourself into it at the same time is a stupendously frustrating and exhausting act. Thankfully, I could screen these films globally to a modest degree, and the results have always been surprising and encouraging. The audience either loved the movie, and was affected by them, or hated them so much that it made them think and ponder—even in the most negative situations, there was still an interaction. I think this is something worth spending time and energy on because I have never had an indifferent audience.
Now, after all these years, I ask myself how much more I can push this agenda because sometimes it is very tiresome and debilitating. I don’t believe in fighting the system any longer. I think film-making in its own right is a political act, not merely political by choice of topic or theme.
Now, with the sheer volume of films being produced every day and perhaps the vast majority of them being dreadful, the system needs not to be picky, specific, thoughtful, and selective. Whatever it wants is already there and has been produced beforehand. As long as it has a conceptual idea and functions as a cargo of information, it’s acceptable. Nothing is unique. The only thing that matters, like it always was, are the films themselves and the history of the medium. In film-making and within the machine of cinema, only one thing calculates, and it is hard work — every single day. Talent, luck and creativity are not always reliable; you either have it, or you don’t. Now I plan to go in a different direction with my films. Somewhere still unknown but new territory. I am still processing, but being in the unknown is exactly what drives me forward. The fear? Yes. The fear.
Over the past twenty years, I have been working on and developing a very particular type of cinema, which I believe is formal, personal, and radical. From the very first day until this very moment, distributing these films has been tremendously challenging. Fighting the system and forcing yourself into it at the same time is a stupendously frustrating and exhausting act. Thankfully, I could screen these films globally to a modest degree, and the results have always been surprising and encouraging. The audience either loved the movie, and was affected by them, or hated them so much that it made them think and ponder—even in the most negative situations, there was still an interaction. I think this is something worth spending time and energy on because I have never had an indifferent audience.
Now, after all these years, I ask myself how much more I can push this agenda because sometimes it is very tiresome and debilitating. I don’t believe in fighting the system any longer. I think film-making in its own right is a political act, not merely political by choice of topic or theme.
Now, with the sheer volume of films being produced every day and perhaps the vast majority of them being dreadful, the system needs not to be picky, specific, thoughtful, and selective. Whatever it wants is already there and has been produced beforehand. As long as it has a conceptual idea and functions as a cargo of information, it’s acceptable. Nothing is unique. The only thing that matters, like it always was, are the films themselves and the history of the medium. In film-making and within the machine of cinema, only one thing calculates, and it is hard work — every single day. Talent, luck and creativity are not always reliable; you either have it, or you don’t. Now I plan to go in a different direction with my films. Somewhere still unknown but new territory. I am still processing, but being in the unknown is exactly what drives me forward. The fear? Yes. The fear.
Rouzbeh Rashidi
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domingo, 19 de janeiro de 2020
poemas feitos, pt 2
POEMA À MÃE
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
em Os amantes sem dinheiro, de Eugénio de Andrade
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
em Os amantes sem dinheiro, de Eugénio de Andrade
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frases feitas, pt 2
When people ask me if I am a feminist filmmaker, I reply I am a woman and I also make films.
Chantal Akerman
Chantal Akerman
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poemas feitos, pt 1
AMOR DEPOIS DO AMOR
Chegará o tempo
em que, com alegria,
te saudarás a ti mesmo ao tocares
à tua porta, ao olhares-te no espelho,
e cada um dará ao outro as boas-vindas com um sorriso,
e dirás, senta-te aqui e come.
Amarás de novo o estranho que há em ti.
Oferece-lhe vinho. E pão. Devolve o teu coração,
ao estranho que te amou
toda a tua vida, aquele a quem trocaste
por outro, aquele para quem não tens segredos.
Varre as cartas de amor da estante,
as fotografias, os bilhetes desesperados,
Arranca a pele à tua imagem no espelho.
Senta-te. Festeja contigo a tua vida.
Derek Walcott
(tradução de Jorge Sousa Braga)
Chegará o tempo
em que, com alegria,
te saudarás a ti mesmo ao tocares
à tua porta, ao olhares-te no espelho,
e cada um dará ao outro as boas-vindas com um sorriso,
e dirás, senta-te aqui e come.
Amarás de novo o estranho que há em ti.
Oferece-lhe vinho. E pão. Devolve o teu coração,
ao estranho que te amou
toda a tua vida, aquele a quem trocaste
por outro, aquele para quem não tens segredos.
Varre as cartas de amor da estante,
as fotografias, os bilhetes desesperados,
Arranca a pele à tua imagem no espelho.
Senta-te. Festeja contigo a tua vida.
Derek Walcott
(tradução de Jorge Sousa Braga)
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frases feitas, pt 1
Not everyone will understand your journey. That’s okay. You’re here to live your life, not to make everyone understand.
Banksy
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estúdios ghibli, o amor
Quanto dura um minuto: Miyazaki, ritmos e a economia da cultura
+ https://comunidadeculturaearte.com/opiniao-quanto-dura-um-minuto-miyazaki-ritmos-e-a-economia-da-cultura/
+ https://comunidadeculturaearte.com/opiniao-quanto-dura-um-minuto-miyazaki-ritmos-e-a-economia-da-cultura/
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
um antúrio sentado à mesa
Tudo o que amamenta aparece na tua pálpebra
E há esta forma obscena de te trazer como arte
Agarrado ao meu braço mais distante
De te instruir na construção da nossa luz
De súbito as janelas dos corpos
Estas flores na indecência de um vaso
Tu que és tão inteiro dentro dos meus sapatos
Tu que não és tu senão quando o peito explode
- e de onde vêem os astros senão dos peitos mortos-
Há esta forma obscena de aceitar uma nódoa
O sol
A loiça empilhada na maré alta
A violência do nosso gesto de deitar em flor
Olhar para fora e ser o osso rente à noite
Eu que enlouqueci com a grinalda de plumas
- e o que é a loucura senão a imensa claridade-
Dentro da nossa cabeça a dádiva
Os homens calados da floresta
Um tiro à deriva, ofegante
Roer a vida e aprender a não ter cura
Esta forma obscena de unir a mão à boca
O sexo na proa de um Deus
O que é tudo isto senão uma vertigem
Uma enorme possibilidade de mim
E a tua existência
Um antúrio sentado à mesa
em espanto
em Ver no escuro, de Cláudia R. Sampaio
E há esta forma obscena de te trazer como arte
Agarrado ao meu braço mais distante
De te instruir na construção da nossa luz
De súbito as janelas dos corpos
Estas flores na indecência de um vaso
Tu que és tão inteiro dentro dos meus sapatos
Tu que não és tu senão quando o peito explode
- e de onde vêem os astros senão dos peitos mortos-
Há esta forma obscena de aceitar uma nódoa
O sol
A loiça empilhada na maré alta
A violência do nosso gesto de deitar em flor
Olhar para fora e ser o osso rente à noite
Eu que enlouqueci com a grinalda de plumas
- e o que é a loucura senão a imensa claridade-
Dentro da nossa cabeça a dádiva
Os homens calados da floresta
Um tiro à deriva, ofegante
Roer a vida e aprender a não ter cura
Esta forma obscena de unir a mão à boca
O sexo na proa de um Deus
O que é tudo isto senão uma vertigem
Uma enorme possibilidade de mim
E a tua existência
Um antúrio sentado à mesa
em espanto
em Ver no escuro, de Cláudia R. Sampaio
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poemário
running to the edge, de julia borissova

© Julia Borissova
*In this project I refer to the subject of the first wave of Russian emigration in 1920’s. Combining old photos and flower petals I destroy the original images of people in the photos and make them anonymous.
I reflect on how with the lapse of time some details are erased from our memory and every time we recall something from the past, we construct another image replacing some parts by new ones. I'm trying to do the same with the pictures. This way I’m also trying to achieve the connection between modern dimension and telling a story.
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terça-feira, 14 de janeiro de 2020
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
diários, pt 10004
. Acordar cedo
. Namoro
. Convento/ Palácio de Mafra
. Namoro
. Arroz de polvo só que não - rirmo-nos disso
. Namoro
. Máquina sem pilha - foudasse (!)
. Namoro
. Tapada Nacional de Mafra
. Namoro
. Muitas crianças sem educação, poucas crianças com educação
. Namoro
. Gamos, Veados e pegadas amorosas de Javali
. Namoro, muito namoro
. Cansaço com felicidade dá felicidade, claro
. Namoro
. Convento/ Palácio de Mafra
. Namoro
. Arroz de polvo só que não - rirmo-nos disso
. Namoro
. Máquina sem pilha - foudasse (!)
. Namoro
. Tapada Nacional de Mafra
. Namoro
. Muitas crianças sem educação, poucas crianças com educação
. Namoro
. Gamos, Veados e pegadas amorosas de Javali
. Namoro, muito namoro
. Cansaço com felicidade dá felicidade, claro
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sábado, 11 de janeiro de 2020
carta aberta
The crying field. There is a room. We never see it. Inside. There is a room in which there is a woman. Who cries and cries. We hear her crying but we never see her. The crying field.
The silence. The silence. But what happens during the silences? Yes, the silences...
The pain is stronger than ever. I've seen bits of lost Paradises and I know I'll be hopelessly trying to return, even if it hurts. The deeper I swing into the regions of nothingness, the further I'm thrown back into myself, each time more and more frightening depths below me, until my very being becomes dizzy. There are brief glimpses of clear sky, like falling out of a tree, so I have some idea where I am going, but there is still too much clarity and straight order of things, I am getting always the same number somehow. So I vomit out broken bits of words and syntaxes of the countries I've passed through, broken limbs, slaughtered houses, geographies. My heart is poisoned, my brain left in shreds of horror and sadness. I've never let you down, world, but you did lousy things to me. This feeling of going nowhere, of being stuck, the feeling of Dante's first strophe, as if afraid of the next step, next stage. As long as I don't sum up myself, stay on the surface, I don't have to move forwards, I don't have to make painful and terrible decisions, choices, where to go and how. Because deeper there are terrible decisions to make, terrible steps to take. It's at forty that we die, those who did not die at twenty. It is at forty that we betray ourselves, our bodies, our souls, by either staying on the surface or by going further but through the easiest decisions, retarding, throwing our souls back by thousands of incarnations. But I have come close to the end now, it's the question will I make it or will I not. My life has become too painful and I keep asking myself, what I am doing to get out of where I am, what am I doing with my life. It took me long to realize that it's love that distinguishes man from stones, trees, rain, and that we can lose our love and that love grows through loving. Yes, I've been so completely lost, so truly lost. There were times I wanted to change the world, I wanted to take a gun and shoot my way through the Western Civilization. Now I want to leave others alone, they have their terrible fates to go. Now I want to shoot my own way through myself, into the thick night of myself. Thus I change my course, going inwards. Thus I am jumping into my own darkness. There must be something, somehow, I feel, very soon, something that should give me some sign to move one or another direction. I must be very open and watchful now, completely open. I know it's coming. I am walking like a somnambulist waiting for a secret signal, ready to go one or another way, listening into this huge white silence for the weakest sign or call. And I sit here alone and far from you. And it's night and I'm reflecting on everything all around me, and I am thinking of you. I saw it in your eyes, in your love, you too are swinging towards the depths of your own being in longer and longer circles. I saw happiness and pain in your eyesand reflections of the Paradises lost and regained and lost again, that terrible loneliness and happiness. Yes, and I reflect upon this and I think about you, like two lonely space pilots in outer cold space, as I sit here this late night alone and I think about all this.
The silence. The silence. But what happens during the silences? Yes, the silences...
The pain is stronger than ever. I've seen bits of lost Paradises and I know I'll be hopelessly trying to return, even if it hurts. The deeper I swing into the regions of nothingness, the further I'm thrown back into myself, each time more and more frightening depths below me, until my very being becomes dizzy. There are brief glimpses of clear sky, like falling out of a tree, so I have some idea where I am going, but there is still too much clarity and straight order of things, I am getting always the same number somehow. So I vomit out broken bits of words and syntaxes of the countries I've passed through, broken limbs, slaughtered houses, geographies. My heart is poisoned, my brain left in shreds of horror and sadness. I've never let you down, world, but you did lousy things to me. This feeling of going nowhere, of being stuck, the feeling of Dante's first strophe, as if afraid of the next step, next stage. As long as I don't sum up myself, stay on the surface, I don't have to move forwards, I don't have to make painful and terrible decisions, choices, where to go and how. Because deeper there are terrible decisions to make, terrible steps to take. It's at forty that we die, those who did not die at twenty. It is at forty that we betray ourselves, our bodies, our souls, by either staying on the surface or by going further but through the easiest decisions, retarding, throwing our souls back by thousands of incarnations. But I have come close to the end now, it's the question will I make it or will I not. My life has become too painful and I keep asking myself, what I am doing to get out of where I am, what am I doing with my life. It took me long to realize that it's love that distinguishes man from stones, trees, rain, and that we can lose our love and that love grows through loving. Yes, I've been so completely lost, so truly lost. There were times I wanted to change the world, I wanted to take a gun and shoot my way through the Western Civilization. Now I want to leave others alone, they have their terrible fates to go. Now I want to shoot my own way through myself, into the thick night of myself. Thus I change my course, going inwards. Thus I am jumping into my own darkness. There must be something, somehow, I feel, very soon, something that should give me some sign to move one or another direction. I must be very open and watchful now, completely open. I know it's coming. I am walking like a somnambulist waiting for a secret signal, ready to go one or another way, listening into this huge white silence for the weakest sign or call. And I sit here alone and far from you. And it's night and I'm reflecting on everything all around me, and I am thinking of you. I saw it in your eyes, in your love, you too are swinging towards the depths of your own being in longer and longer circles. I saw happiness and pain in your eyesand reflections of the Paradises lost and regained and lost again, that terrible loneliness and happiness. Yes, and I reflect upon this and I think about you, like two lonely space pilots in outer cold space, as I sit here this late night alone and I think about all this.
As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2000),
Jonas Mekas
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
os altos, os baixos e o memorável (não chegaram a entrar num bar)
Queria só deixar aqui registada aquela vez em que vomitei, aproximadamente dez vezes (após ingestão excessiva de álcool durante um jantar animado com os ditos), junto de fotógrafos portugueses conceituados e, mais importante que o "conceito", dos quais admiro o trabalho.
Isto não é um post triste, muito menos uma situação triste.
Greatest moment ever. Dignidade, nenhuma.
Isto não é um post triste, muito menos uma situação triste.
Greatest moment ever. Dignidade, nenhuma.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
amor próprio, e uma kookaburra
Ao Alexandre.
Doutrina é uma coisa
fé é outra.
Quando a fé está no meio da estrada
Os pássaros estão prontos.
- olha, espelho, sou eu.
Doutrina é uma coisa
fé é outra.
Quando a fé está no meio da estrada
Os pássaros estão prontos.
- olha, espelho, sou eu.
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020
ao menos isto

© Os Gémeos
O bom de 2019 foi o melhor dos meus 2018 e 2019 e, claro está, de 2020.
Não, não me enganei nas contas.
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22:36 terça feira, 7 de janeiro
O dia em que caí de umas escadas e magoei a mão.
2020, o ano das quedas.
Não sou de intrigas, mas parece-me a mim que isto não está a correr muito bem.
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reminder
Este poema é para ti.
É uma oferta de tréguas
dizendo que
nada no teu coração negro
me poderá assustar.
Olhei tempo demais
para o meu próprio coração.
Obrigada pela dádiva
das tuas incertezas.
Eunice de Souza
É uma oferta de tréguas
dizendo que
nada no teu coração negro
me poderá assustar.
Olhei tempo demais
para o meu próprio coração.
Obrigada pela dádiva
das tuas incertezas.
Eunice de Souza
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
sábado, 4 de janeiro de 2020
aqueles diários marotos
. dia 30: drama
. dia 31: drama dois
. ainda dia 31: drama três que vai ser explanado. Mãe cai, parte os dois braços, é operada a um deles, Patrícia passa as restantes férias a tentar fazer um equilíbrio mental entre "isto é um sonho" ou "isto é um mundo paralelo". Nenhum deles, é a vida.
. dia 31: drama dois
. ainda dia 31: drama três que vai ser explanado. Mãe cai, parte os dois braços, é operada a um deles, Patrícia passa as restantes férias a tentar fazer um equilíbrio mental entre "isto é um sonho" ou "isto é um mundo paralelo". Nenhum deles, é a vida.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2019
domingo, 29 de dezembro de 2019
pois é
Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
em Escrito a Vermelho, de Albano Martins
[roubei ao Ricardo Mariano]
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
em Escrito a Vermelho, de Albano Martins
[roubei ao Ricardo Mariano]
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sábado, 28 de dezembro de 2019
fernando lemos
QUANDO UM DIA ESTIVER MORTO
Quando um dia estiver morto
não me chamem assim de morto
mas digam que fui um fraco
que lutei
Não digam que acabei
mas que estou iludido
Que fiz desertos com túmulos
praias geladas ao passear doentes
Digam que está ali comigo a cor
o ar e a posse
Que fui igual e traído
Que acordei dentro do vulcão
rompi manhãs de veludo
feito um rato
Que confundi papel com outro papel
Que troquei a mão de alguém
por outra mão
o sorriso por um desejo
a cerimónia por acto amoroso
Que troquei as horas por frases inocentes
e as rosas por actos gratuitos
Digam que cruzei mal as linhas
que rasguei papéis de valo
e soquei mulheres
Que amei os velhacos
fui traído com amor
raiva e convicção
Que perdi oportunidades
e das melhores
Que não conheci nem a lei
nem o cheiro do crime
Que abusei da minha força
na fraqueza dos outros
e da fraqueza também
Digam que fui ridículo
e até brilhante
Podem dizer que não roubei
nem fui culpado nas guerras
Quando morrer não digam
Não me chamem assim de morto
Quando um dia estiver morto
não me chamem assim de morto
mas digam que fui um fraco
que lutei
Não digam que acabei
mas que estou iludido
Que fiz desertos com túmulos
praias geladas ao passear doentes
Digam que está ali comigo a cor
o ar e a posse
Que fui igual e traído
Que acordei dentro do vulcão
rompi manhãs de veludo
feito um rato
Que confundi papel com outro papel
Que troquei a mão de alguém
por outra mão
o sorriso por um desejo
a cerimónia por acto amoroso
Que troquei as horas por frases inocentes
e as rosas por actos gratuitos
Digam que cruzei mal as linhas
que rasguei papéis de valo
e soquei mulheres
Que amei os velhacos
fui traído com amor
raiva e convicção
Que perdi oportunidades
e das melhores
Que não conheci nem a lei
nem o cheiro do crime
Que abusei da minha força
na fraqueza dos outros
e da fraqueza também
Digam que fui ridículo
e até brilhante
Podem dizer que não roubei
nem fui culpado nas guerras
Quando morrer não digam
Não me chamem assim de morto
Fernando Lemos
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poemário
pequeno grande armazém
Tive saudades disto.
Não vale a pena contrariar, a vontade logo se orienta, pois é? É.
Não vale a pena contrariar, a vontade logo se orienta, pois é? É.
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domingo, 17 de novembro de 2019
queria muito fazer 33 anos para ser, finalmente, esta música
Obra-prima.
E acima de tudo: a verdade, nada mais que a verdade.
*During the taping of VH-1 Storytellers, Billy talked about the meaning of Thirty-Three when he said, The year was 1994 and I just moved into a new house that was eventually going to be a purple Victorian house in Chicago. And this is the first song that I wrote for that album. And um, this song really embodies the spirit of that time. I had just gotten married, I’d just moved into a new house, the band was achieving the kind of success that people only dream of and I was really hopeful with the idea that I was eventually and someday –and it looked like it was going to happen– actually have a happy life. It didn’t quite work out that way. But I don’t think that’s what I really want to emphasize about this particular song. Um, you know, hope is really the key component in life because one must have hope and faith to actually get out of bed and do anything in this world. And um, you know, in my mind at that time, I think I was 27 years old, I thought that I had arrived. I supposedly had everything one would want: the wife, the cat, the house, the car, and the money and the –oh yeah, the fame. And um, but I think what I’m really trying to say here is all I ever really wanted was a happy home.
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quinta-feira, 14 de novembro de 2019
o teatro dom roberto

O Teatro Dom Roberto, teatro de marionetas pelos Valdevinos.
Este espectáculo vai estar a sul do Tejo no próximo Domingo.
As fotografias são de Ricardo Reis.
[também podia viver aqui]
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Teatro
terça-feira, 12 de novembro de 2019
vinte e três e cinquenta e seis
Está um urso atrás de mim
Números pares são redondos
E a insónia ensina que nem sempre
Nem sempre, repito
O que queremos é o que mais
tememos
Porque temer é uma coisa
morrer por é outra.
Números pares são redondos
E a insónia ensina que nem sempre
Nem sempre, repito
O que queremos é o que mais
tememos
Porque temer é uma coisa
morrer por é outra.
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quarta-feira, 6 de novembro de 2019
sophia
A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura. Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça. Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta.
Pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema não fala de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume da tília e do orégão.
É esta relação com o universo que define o poema como poema, como obra de criação poética. Quando há apenas relação com uma matéria há apenas artesanato.
É o artesanato que pede especialização, ciência, trabalho, tempo e uma estética. Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. Mas o artesanato das artes poéticas não nasce de si mesmo, isto é, da relação com uma matéria, como nas artes artesanais. O artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está consubstancialmente unido. Se um poeta diz «obscuro», «amplo», «barco», «pedra» é porque estas palavras nomeiam a sua visão do mundo, a sua ligação com as coisas. Não foram palavras escolhidas esteticamente pela sua beleza, foram escolhidas pela sua realidade, pela sua necessidade, pelo seu poder poético de estabelecer uma aliança. E é da obstinação sem tréguas que a poesia exige que nasce o «obstinado rigor» do poema. O verso é denso, tenso como um arco, exactamente dito, porque os dias foram densos, tensos como arcos, exactamente vividos. O equilíbrio das palavras entre si é o equilíbrio dos momentos entre si.
E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema não fala de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume da tília e do orégão.
É esta relação com o universo que define o poema como poema, como obra de criação poética. Quando há apenas relação com uma matéria há apenas artesanato.
É o artesanato que pede especialização, ciência, trabalho, tempo e uma estética. Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. Mas o artesanato das artes poéticas não nasce de si mesmo, isto é, da relação com uma matéria, como nas artes artesanais. O artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está consubstancialmente unido. Se um poeta diz «obscuro», «amplo», «barco», «pedra» é porque estas palavras nomeiam a sua visão do mundo, a sua ligação com as coisas. Não foram palavras escolhidas esteticamente pela sua beleza, foram escolhidas pela sua realidade, pela sua necessidade, pelo seu poder poético de estabelecer uma aliança. E é da obstinação sem tréguas que a poesia exige que nasce o «obstinado rigor» do poema. O verso é denso, tenso como um arco, exactamente dito, porque os dias foram densos, tensos como arcos, exactamente vividos. O equilíbrio das palavras entre si é o equilíbrio dos momentos entre si.
E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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segunda-feira, 4 de novembro de 2019
é
PREOCUPAÇÕES NATURAIS
Eu não tinha muita coisa e hoje tenho
a soma dos teus passos quando desces
a correr os nossos treze degraus e
me prometes: até logo. Mas se
nada (ou só o nada) está escrito,
quem mais ama é quem mais tem
a recear. Com isso, passo horas
num rebate de dramáticos motivos:
engano-me na roda dos temperos,
ponho sal na cafeteira, maionese
no saleiro, vejo o mel mudar de cor
e se me chama o telefone empalideço
como o rosto do relógio da cozinha.
Só sossego quando as gatas me garantem
que chegaste e posso então, aliviado,
unir-me ao coro de miaus que te recebe,
para mais uma noite roubada ao escuro.
José Miguel Silva
Eu não tinha muita coisa e hoje tenho
a soma dos teus passos quando desces
a correr os nossos treze degraus e
me prometes: até logo. Mas se
nada (ou só o nada) está escrito,
quem mais ama é quem mais tem
a recear. Com isso, passo horas
num rebate de dramáticos motivos:
engano-me na roda dos temperos,
ponho sal na cafeteira, maionese
no saleiro, vejo o mel mudar de cor
e se me chama o telefone empalideço
como o rosto do relógio da cozinha.
Só sossego quando as gatas me garantem
que chegaste e posso então, aliviado,
unir-me ao coro de miaus que te recebe,
para mais uma noite roubada ao escuro.
José Miguel Silva
*roubei ao o poema ensina a cair
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sábado, 2 de novembro de 2019
o mês de novembro começou assim
. Praia e Outono: um casamento feliz
. Papagaio ao vento - a felicidade
. Atobá-do-cabo
. Comida com muito amor
. Muito amor com comida
. Amor e comida: outro casamento feliz
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. Comida com muito amor
. Muito amor com comida
. Amor e comida: outro casamento feliz
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