Sou do tempo em que a minha mãe fazia panos para limpar o pó de lençóis velhos. Lembro-me de pensar que era estranho vê-los transformarem-se em menos do que já tinham sido. No entanto, há sempre mais do que menos. É com eles que limpo, agora, os jogos que trouxe da casa dos meus pais e nos quais nunca tocámos, é também com eles que limpo a cómoda que o meu avô paterno fez, há muitos anos atrás, na sua garagem de carpinteiro. Há sempre mais do que menos. Seja o que for. Lembremo-nos sempre disto; façamos deste pequeno recado mental o que não conseguimos fazer aquando um resgate in loco. É seguro, prossigamos.
E o pó, esse louco e preciso detector da passagem do tempo.
em maiúsculas
CONTABILIDADE DUPLA
Os amantes têm mãos a menos.
No amor exibe-se o que FALTA ao CORPO.
No Corpo deve exibir-se o que FALTA (mesmo assim) ao AMOR.
em Livro da Dança, de Gonçalo M. Tavares
Os amantes têm mãos a menos.
No amor exibe-se o que FALTA ao CORPO.
No Corpo deve exibir-se o que FALTA (mesmo assim) ao AMOR.
em Livro da Dança, de Gonçalo M. Tavares
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poemário
however vast the darkness, we must supply our own light
Children, of course, begin life with an untarnished sense of wonder, a capacity to experience total joy at something as simple as the greenness of a leaf; but as they grow older, the awareness of death and decay begins to impinge on their consciousness and subtly erode their joie de vivre, their idealism... As a child matures, he sees death and pain everywhere about him, and begins to lose faith in the ultimate goodness of man. But, if he’s reasonably strong, and lucky, he can emerge from this twilight of the soul into a rebirth... Both because of and in spite of his awareness of the meaninglessness of life, he can forge a fresh sense of purpose and affirmation. He may not recapture the same pure sense of wonder he was born with, but he can shape something far more enduring and sustaining. The most terrifying fact about the universe is not that it is hostile but that it is indifferent; but if we can come to terms with this indifference and accept the challenges of life within the boundaries of death...our existence as a species can have genuine meaning and fulfillment. However vast the darkness, we must supply our own light.
Stanley Kubrick
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cantemos

Kidding (2018 - ), Ep. 1, Dave Holstein
Sim, com algum esforço, isto tem funcionado.
A pinças.
E, se reparar bem, é uma dissecação de mim mesma através da sétima arte.
É.
E, se reparar bem, é uma dissecação de mim mesma através da sétima arte.
É.
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dear television: goodbye
rir para não chorar, pt 2
O que eu mais tenho é (as) expectativas no topo.
Muitas. E diárias.
(silêncio)
Muitas. E diárias.
(silêncio)
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rir para não chorar
Aprender a ver o copo meio cheio.
Não, a sério: o que é que isso significa?
Não, a sério: o que é que isso significa?
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mimosas
MIMOSAS
Todos os anos na mesma altura
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura
Jorge Sousa Braga
Todos os anos na mesma altura
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura
Jorge Sousa Braga
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poemário
why's it my words demand so much?
Esta é uma das minhas músicas.
Sim.
Por falar nisso, a lua (minguante) tem estado belíssima.
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grafonola
escrever uma carta
Isto às vezes é tremendo porque a gente quer exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras.
Entrevista a António Lobo Antunes para o Público, em 2004
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já não existia
Se eu desaparecer hoje
E falo mesmo do meu corpo aqui tão sentado
a escrever desde a ponta da língua
à légua mais distante da minha vida,
diz que compreendi.
Diz que sei que nada está onde é certo estar
Que o amor súbito é a escada para o entendimento
Diz que fui ar azul sobre campos de secura
estrada recta ao infinito,
um acidente ao longe
Que provei toda a sede quando engoli os homens
Que queimei alegremente no ácido das palavras
Que tombei em ricochete para que me vissem
e que, quando me viram, me ergui animal
Diz que me viste nua, sempre
Que corri por hospícios de olhos fechados
e a boca às avessas
Que vivi mais ao alto do que em mundo plano
E falo mesmo do meu corpo aqui tão sentado
a escrever desde a ponta da língua
à légua mais distante da minha vida,
diz que compreendi.
Diz que sei que nada está onde é certo estar
Que o amor súbito é a escada para o entendimento
Diz que fui ar azul sobre campos de secura
estrada recta ao infinito,
um acidente ao longe
Que provei toda a sede quando engoli os homens
Que queimei alegremente no ácido das palavras
Que tombei em ricochete para que me vissem
e que, quando me viram, me ergui animal
Diz que me viste nua, sempre
Que corri por hospícios de olhos fechados
e a boca às avessas
Que vivi mais ao alto do que em mundo plano
e fui honesta na minha rente loucura
Diz que nunca esqueci a subida a um plátano
Que ninguém viveu no meu lugar, nem eu, no de ninguém
Que fui o halo frio que preenchi com esta pena
pela minha ausência
E que tudo o que disse foi com silêncio
Diz que sei, sobretudo, que ardemos juntos como ventosas,
Que o teu corpo me serviu de andar às pernas asmáticas
Que te agradeço ter-te oferecido lírios
Que me reduziste o nojo da espécie
Diz que eu fui eu
Guarda-me este segredo que tenho largo por baixo dos cabelos:
- quanto em mim fui que não vivi
quanto em ti é que fui eu?
Mas não te preocupes, não desapareço hoje
Quando me conheceste já eu não existia
e tu sabes
que essas saudades que vais tendo
são as minhas.
em Outro nome para a solidão, de Cláudia R. Sampaio
Diz que nunca esqueci a subida a um plátano
Que ninguém viveu no meu lugar, nem eu, no de ninguém
Que fui o halo frio que preenchi com esta pena
pela minha ausência
E que tudo o que disse foi com silêncio
Diz que sei, sobretudo, que ardemos juntos como ventosas,
Que o teu corpo me serviu de andar às pernas asmáticas
Que te agradeço ter-te oferecido lírios
Que me reduziste o nojo da espécie
Diz que eu fui eu
Guarda-me este segredo que tenho largo por baixo dos cabelos:
- quanto em mim fui que não vivi
quanto em ti é que fui eu?
Mas não te preocupes, não desapareço hoje
Quando me conheceste já eu não existia
e tu sabes
que essas saudades que vais tendo
são as minhas.
em Outro nome para a solidão, de Cláudia R. Sampaio
*roubei à própria
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poemário
coisa
E também porque uma coisa bonita era para se dar ou para se receber, não apenas para se ter. E, sobretudo, nunca para se 'ser'. Sobretudo nunca se deveria ser a coisa bonita. A uma coisa bonita faltava o gesto de dar. Nunca se devia ficar com uma coisa bonita, assim, como que guardada dentro do silêncio perfeito do coração.
em A imitação da rosa, de Clarice Lispector
em A imitação da rosa, de Clarice Lispector
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achimpa
Achimpa, teatro de marionetas pelos Valdevinos.
Uma adaptação do livro homónimo de Catarina Sobral.
Este espectáculo vai estar a sul do Tejo no próximo Domingo.
As fotografias são de Ricardo Reis.
O bonito trabalho da Catarina aqui.
[podia viver aqui para sempre, adoro]
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Teatro
da série "os dez mandamentos"
Não bastam alguns dias e um amor nascente para quebrar um longo hábito.
em O deus nú, de Robert Margerit
em O deus nú, de Robert Margerit
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biblioteca
> dicionário
so·fis·ma
substantivo masculino
. Argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário.
. [Popular] Engano; logro.
verbo transitivo e intransitivo
. Torcer (argumento ou questão).
. Dar aparências de verdade a (asserção que se sabe ser falsa).
. [Figurado, Popular] Lograr, iludir.
substantivo masculino
. Argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário.
. [Popular] Engano; logro.
verbo transitivo e intransitivo
. Torcer (argumento ou questão).
. Dar aparências de verdade a (asserção que se sabe ser falsa).
. [Figurado, Popular] Lograr, iludir.
verbo intransitivo
. Usar sofismas; raciocinar por sofismas.
. Usar sofismas; raciocinar por sofismas.
em Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013
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dicionário
fauno
Não sei se já tinha partilhado esta imagem por aqui; este blogue tornou-se maior que eu.
Numa altura em que o meu nariz era ainda mais torto, em que a minha testa não tinha vergonha de aparecer, e eu mesma tinha várias reticências relativamente à exposição, aconteceu esta fotografia.
26 de Dezembro de 2006.
12 anos depois, ei-la.
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receita para
No comboio, a forma como as pessoas olham pela janela; dou por mim a avaliar esta simbiose entre o observador e a paisagem. O que vou escrever de seguida parecerá distante deste raciocínio, mas não é: somos todos, todos sem excepção, fruto do melhor que os nossos pais, educadores, progenitores, conseguiram. Deram o seu melhor, e adivinhemos, sem saber bem como. Não há nenhuma fórmula. Andamos todos por aqui sem saber como, e porquê, e quando, e todas as questões do mundo que nunca serão suficientes, como todo o amor do mundo não foi suficiente, canta A Naifa. No entanto, avançamos, como mineiros em grutas escuras, sem ter aprendido a apontar a lanterna em frente. Sem medo(s), observamos a paisagem languidamente, contudo, ávidos por mais. Pelo quê? Não sabemos.
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aos metros todos, repetir

Mais uma vez, por causa disto, aconteceu isto:
+ http://patriciaisabelricardo.com/aos-metros-todos-repetir
[uma camada de gripe amanhã, também]
> não ao instagram

Almada, Julho 2014
Patrícia, o que estás a fazer?
A apagar fotografias do telemóvel.
Shhh, é segredo.
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> não ao instagram

Lisboa, Dezembro 2013
Patrícia, o que estás a fazer?
A apagar fotografias do telemóvel.
Shhh, é segredo.
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> não ao instagram
A sul, Abril 2014
Patrícia, o que estás a fazer?
A apagar fotografias do telemóvel.
Shhh, é segredo.
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do belo ou: verdades absolutas
The lovely thing about the unsayable is that it is unsaid. As soon as it is said, it is sayable and loses all its mystery and ambiguity. Art exists so that the unsayable can be said without having to actually say it. We cloud it in secrecy and obfuscation. The mind is free to roam and all things can be imagined, under the cover of darkness. How nice that is. The unsayable. How tired we are of having things explained to us. Having things said. How nice it is when people just shut the fuck up.
Nick Cave
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verdade
movimento de rotação
A Terra girou para nos aproximar,
Girou ao redor de si mesma e dentro de nós
Eugenio Montejo
Girou ao redor de si mesma e dentro de nós
Eugenio Montejo
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poemário
agulha
Não tem resultado, mas vai resultar, ou eu não me chamo Patrícia Isabel Ricardo.
Com pinças.
Com pinças.
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