sábado, 28 de março de 2020

zero



Tenho uma amiga que pratica psicologia em várias escolas. Está neste momento, como muitos de nós, a trabalhar a partir de casa e a tentar perceber como pode continuar a dar de si - porque há trabalhos que funcionam a partir de casa, outros nem por isso (este tema fica para outro dia, se me apetecer).

Viu o meu "projecto de sobrevivência" eu e os meus amigos imaginários e pediu-me ajuda para o que acho que será, de certa forma, incrível. Pretende chegar aos miúdos e aos seus progenitores, tendo em conta as especificidades de muitas famílias, o repentino teletrabalho (que palavra mais parva), a estranha escola online - não é fácil nem para uns, nem para outros - assimilar, entender, praticar. De repente mudou tudo e temos que reaprender muitos padrões, adaptarmos-nos a muitas coisas.

Tentarei, de acordo com os meus dotes humildes e rudimentares, ajudá-la a fazer chegar algo que ajude outros.

Nunca soube desenhar caras, a anatomia de um rosto tem muito que se lhe diga. Mas como eu sou estranha, e a minha ideia é criar uma estranheza feliz, utilizo o fraco dote a meu favor. A mãe não tem expressão, nem camisola; o pai não tem calças e o seu bigode pode ser também um laço; as crianças não têm cabeça (logo se vê se mudo de ideias), só se não as imaginarmos. A ideia é usar, efectivamente, a imaginação. E isto sou eu a defender a minha tese.

Ainda muito no início, muito embrionário, com muito a remendar, a substituir, a acrescentar (adianto já que vão existir uma avó, um cão, um gato...), e muito a fazer. Vou levantando um bocadinho do véu à medida que a coisa for acontecendo. E também nunca é tarde para reinventar os azulejos de um apartamento dos anos 90.