terça-feira, 10 de março de 2020

post 3000 / sem nome

Houve uma altura em que todos os gatos eram pardos. E eu sei que, desde aí até aqui, continuarão a haver muitos enganos, alguns engasgos, uns quantos encantos, esperemos. E cinjo-me ao silêncio de viver; a vida tem o seu próprio som - como sabeis. Tentarei ser mais moderada, mais ponderada, mais preparada. Seja o que for. A batalha é um campo primaveril, mesmo esbracejando, mesmo sangrando, mesmo ofegando, mal e porcamente. O susto caberá, com poupa e circunstância, no tapete que tenho, condecorado, à porta de casa. Nadamos, repetimos, voltamos. E há na volta o recomeço. Respiramos. Sou singular, passo a plural. Houve uma altura em que todos os gatos eram pardos. O que o escuro tem de belo, não tem de sossego. Um testemunho. E de testemunhos está o inferno cheio - metodicamente arrumado, metodicamente feio. Gatos pardos, gatos parvos, gatos, gatos, gatos.