sábado, 18 de maio de 2019

erva daninha

A fome não se mata a dente
recolhe-te.

vida

Vou convidar-te a sair
adeus.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

> relicário



Leoh Ming Pei, Arquitecto

© Josef Astor

caixa postal



O resto para breve.

http://patriciaisabelricardo.com/caixa-postal

da série "quem és tu"



Quem sou eu?

da série "quem és tu"



Quem sou eu?

nem eu

quarta-feira, 15 de maio de 2019

trilho, pt 2

O mar sempre ao contrário.

fim

Bem vês, meu bem, que não me tenho em grande conta
que sou este naperon encardido
este menir caído
esta fábula sem choro
esta charada, esta mesmo, olha.

Bem vês, meu bem, que estou p'raqui como deus quis,
porque o que deus quer agora é, pois, seguir.

Quando há caminho,
há suor, meu bem, há pés entalados nas bordas da estrada
de terra batida.
Olha, esta mesmo, aqui, ali, além.

Bem vês, meu bem, que vejo mal
é noite cerrada.
Fim.

terça-feira, 14 de maio de 2019

sai um, se faz favor



Acrescento: os meio-corpos estão sempre mortos. Porquê? Não sei, é estar atento.

c

Passei o meu último Natal dedicada a esta candidatura; não deu em nada, como é óbvio.
Não obstante: Ci.CLO Bienal 2019

a k

Alyona Kochetkova
+ https://alyonakochetkova.com

diário de bordo, mil

. Uma pessoa super acabada no corredor de papelaria de uma loja de chinês, com cartolinas na mão: eu
. É só

andorinhas

> relicário



Bom vento, manhã clara (?)

© Katsushika Hokusai

segunda-feira, 13 de maio de 2019

da série "atira-te ao mar e diz que te empurrámos"



© Bitch, Please

Guardado carinhosamente como besta-mor.png
E espalhemos a palavra do senhor, claro.

maria e/ou beatriz

> relicário



© Antigone Kourakou

> relicário



Agustina Bessa-Luís, 2002

© Adriano Miranda

domingo, 12 de maio de 2019

julgamento e purificação das almas

Vemos-nos do outro lado, onde há luz.
Se não, ao lado da cama, sentados no chão.

sábado, 11 de maio de 2019

trilho

O mar sempre por dentro.

> relicário



Flores no Inverno 
Sanai, Hokkaido, Japão, 2004

© Michael Kenna

> relicário



Campo de neve 
Biei, Hokkaido, Japão, 2004

© Michael Kenna

> relicário

quinta-feira, 9 de maio de 2019

narrativa

Uma janela não tem que estar ao centro, ao centro está um ponto final, obviamente.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

diálogo

A solidão é um bicho, claro, solitário.

*

This is my fear, to be somebody, as if I'm nothing who pretends all the time and has to be hyperactive all the time, just to fascinate people enough so that they don't notice that there is nothing.
Slavoj Zizek

em Zizek! (2005), de Astra Taylor


*Até os "loucos " dizem verdades; e o que é um louco, o que é a verdade?
Aconselho vivamente (!) este documentário.

s



Sem título, da série Hope
Canadá, sem data

© Kourtney Roy

coisas mesmo muito importantes, pt 2

O.K., You Can Get a Dog
https://newyorker.com/magazine/2019/05/13/ok-you-can-get-a-dog

coisas mesmo muito importantes



[estou a averiguar quem é o autor deste lindo cartaz]

http://diadoburro.pt

terça-feira, 7 de maio de 2019

diário de bordo, oitocentos e cinquenta

. Ora, o porta-chaves: chaves que não utilizo há 15 anos; nota-se muito que tenho aqui uma questão premente?
. Fazer compras a ouvir Nick Cave, melhor ideia de sempre
. O rapaz da caixa elogiou-me o sorriso, o nome, e não, o meu número de contribuinte não é o meu número de telefone

a respirar, ainda

Ainda trago comigo, juntamente com todas as outras, as chaves da casa onde vivi em Lisboa, nos Anjos, mesmo no centro da Almirante Reis. Que juventude, que privilégio, que pérola essa que não foi aproveitada porque foi o que tinha que ser, como tinha que ser, e o que podia ser, possivelmente. Eu só acho é que deva dar graças a. Ao quê? Ao ter conseguido chegar até aqui. Com chaves, sem chaves, cansada, é certo, mas viva - continuo a conseguir respirar; ainda.

de uma homónima bonita que conheci uma vez

Os Comilões, de Patrícia Guimarães
https://patriciaguimaraes.weebly.com/comiloes.html

havemos de ir a viana



Este lindo poema.
Se fosse poesia evaporava feliz.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

armar uma bomba

DA TRANSPARÊNCIA

Uma mulher tem mergulhada
a cabeça no seu mundo
na esperança de uma atmosfera viva
onde o seu coração procura
indicar-lhe todos os possíveis
caminhos de saída.

Sem remorsos da sua existência
não dúvida em torno da rosa
que busca sem mãos
mas sabe da sua raíz
armada de pequenos ossos e pólvora.

em 'Linguados' Catálogo da Exposição 'Máquinas de Escrever Literatura', poema de Miguel de Carvalho

ciprestes

domingo, 5 de maio de 2019

> relicário



In my films, I always wanted to make people see deeply. I don’t want to show things, but to give people the desire to see.
Agnès Varda

[não sei de quem é a bonita fotografia]

diários de felicidade, parte x

. Penas agarradas às molas da roupa.
. É só

sábado, 4 de maio de 2019

destino

Foi um voo rasante.

grata, tolentino

Há anos que não entrava numa livraria. Hoje entrei na Fnac; cheguei à definitiva conclusão que não tenho dinheiro para frequentar estes botecos e vim de coração pendurado - fiquei tão desoladamente triste, tive alguns livros na mão mas na impossibilidade de, deixei-os para trás. Tive 10 minutos a decidir se trazia um Tolentino, na caixa quase desisti e agora, no metro, o meu coração pendurado agradece a teimosia: não que houvessem dúvidas, mas este livro irá mudar-me a vida, só pelo prefácio.

Pequena grande nota: receber livros-surpresa pelo correio?
A maior dádiva.

bibliografia autorizada

E se a minha bibliografia enquanto artista for: não tenho testemunho público algum de quem segue o meu trabalho, não estou mencionada em nenhuma plataforma online, artística e cultural, não tenho nenhuma publicação, e não tenciono partilhar mais nada, a não ser o necessário, até indicação em contrário? Hum?

Fica a pergunta.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

lá do cimo

Caem-me no regaço
mesmo antes de se partirem.

A cair,
a cair,
a cair,
sem destino.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

quarta-feira, 1 de maio de 2019

anjos, demónios e outros



Os outros.

#131



A sul, hoje.

> ruído, luz, ano



http://patriciaisabelricardo.com/ruido-luz-ano

[máquina diferente, data e hora correctas]

> quantos quilómetros tem um dia?



Daqui.

Como rasurar um projecto.


Um dia fiz um projecto de nome quantos quilómetros tem um dia?. Hoje, rasurei-o. Acabei-o. A meio do processo perguntei-me, até, quantos dias teria um quilómetro. Um dia pode não ter quilómetros nenhuns, pode ter os que quisermos - o sol nasceu outra vez. Por exemplo, para quê fazer um caminho árduo sem ceder, não é? Hoje, também, ouvi que um engano não é a mesma coisa que um erro. Verdade. Agora posso seguir.

> quantos quilómetros tem um dia?



Daqui.

Como rasurar um projecto.


Um dia fiz um projecto de nome quantos quilómetros tem um dia?. Hoje, rasurei-o. Acabei-o. A meio do processo perguntei-me até quantos dias teria um quilómetro. Um dia pode não ter quilómetros nenhuns, pode ter os que quisermos - o sol nasceu outra vez. Por exemplo, para quê fazer um caminho árduo sem ceder, não é? Hoje, também, ouvi, que um engano não é a mesma coisa que um erro. Verdade. Agora posso seguir.

terça-feira, 30 de abril de 2019

> relicário



Agnès Varda on the cover of Issue #1 of Andy Warhol's Interview Magazine, 1969

e agora sim: go tell her go tell her



A música sempre, sempre, sempre.

ah caraças, ponto de exclamação

segunda-feira, 29 de abril de 2019

the cat piano



Narrado pelo... Nick Cave.

fome

Tudo o que eu mais queria era

ver.

a viagem não chega, finito

Esgotado ou: sold out, como se costuma dizer.

Foi, de uma forma muito objectiva (porque estava há uns meses à espera que acontecesse), no entanto muito espontânea e, como em qualquer primeira vez, algo amadora, que tudo se deu. Não pensei sobre alguns pormenores, mas haveria espaço para? Seria mesmo necessário? Ainda assim, aconteceram duas coisas: não numerei os livrinhos e não lhes coloquei a data. Depois concluí que há erros que vêm por bem, realmente, pois acaba por fazer todo o sentido que não tenham ambos, também pelo significado que o trabalho tem para mim. E lá foi o último, tal-qual passarinho.

Estar agradecida é pouco, mas ainda hei-de escrever sobre isto.

.

> almanaque

a.rin.cu
(ɐrĩˈku)
nome masculino

Designação comum pela qual também são conhecidos os pirilampos (insectos da família dos Lampirídeos que têm a propriedade de emitir luz na escuridão)

em Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha], 2003-2019

domingo, 28 de abril de 2019

para peões

O engasgo e o tropeço estão no trânsito.
Repete comigo: saberemos (l)imitar esta boleia?

diário de internet, pt 1000

. ShareWaste, recolha ou doação de lixo orgânico para compostagem [tem aplicação móvel]
. Continuo a vender um orgão; novamente: podia ser um rim, mas não é
. Projecto Bosques
. Pede Salsa, de um amigo
. Maria Louceiro
. Plataforma SALVAR o TUA
. Creta, novo projecto de criação e programação teatral em Viseu

que até tem medo

Porque é fácil aceitar que se pode falhar
quando as condições são perfeitas. Se falhas agora,
voltarás depois a acertar.
Coragem é arriscar em pleno inferno,
fazer algo (cujos efeitos se desconhecem)
no momento em que o pânico existe.
Não há coragem com bom tempo. Bloom
sabe isso; e também aquilo
Sabe tantas coisas que até tem medo.


Gonçalo M. Tavares

dark side matters

Vou fazer t-shirts.
E um clube.

sábado, 27 de abril de 2019

voltar àqueles lugares

expludo de felicidade com isto (!)



Foi ainda ontem que por lá a deixei (!)
(sorriso muito grande)

da série "se eu fosse um poema"

SOBRE UMA FOTOGRAFIA

Nenhuma sombra ameaça tua porção de luz
ainda que solte o vento
medos antigos pelos atalhos

uma só palavra restituiu
a imensidão
o que nos teus olhos leio
quando entregas a uma desconhecida
a desconcertante verdade do amor

(voltavas nesses dias da guerra da macedónia
um cão que não vias ladra por ti
junto aos ulmeiros)

em Baldios, de José Tolentino Mendonça

l'ogre

quinta-feira, 25 de abril de 2019

celebrar a música

pensei (a liberdade)

pensei
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo
depois pensei
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu

Sónia Balacó

o actor

fêmea, fémea



Cruzei-me, felizmente, com este livro.
Tal como o Pedro tem partilhado os seus livros favoritos, também eu, partilharei esta pérola.

Este livro lindo saiu com o Jornal Público o mês passado, aquando o dia da mulher.
Escrito por Inês Brasão e ilustrado por Ana Biscaia.

sempre



Estávamos nas aulas, e vimos a polícia por cima dos telhados. Depois não tivemos aulas o resto do dia.


Mãe




No dia estava a dormir, sei lá. Ah, de dia! Fomos à casa da PIDE, entrámos por lá adentro. Aquilo eram duas ou três salas, eles tinham-se ido embora.

(Fui preso duas vezes, uma delas fui parar à PIDE, outra fui parar à polícia. Foram coisas que já passaram.)

Depois é que começou tudo; nos dias seguintes criámos a comissão de estudantes e começámos a fazer reuniões gerais de alunos, as RGA, criámos uma direcção geral que mandou o reitor para a rua, deixou de ser director. Também mandámos professores embora, eu mandei muitos, um deles teve que ir para Macau. Esse, antes do 25 de Abril, no exame de Matemática, pôs-me a chorar baba e ranho e eu disse-lhe baixinho 'Meritíssimo Senhor Doutor', porque ele queria que o chamássemos assim, 'isto não cai em saco roto', e assim foi.

(No 1º de Maio andei com a bandeira, temos ali uma fotografia disso, não sei onde está guardada.)

Lá, andava tudo pianinho comigo, connosco. Dois contínuos que eram informadores da PIDE também foram para a rua. Depois quando passámos para o liceu novo é que passei a pasta a outros, já estava tudo orientado, a comida era boa... Eu aparecia lá de repente e ia provar a comida, se não fosse boa... Uma vez aumentaram os preços dos bolos, do pão, das bolemas - já nem me lembrava disto - e disse a toda a gente 'a partir de amanhã ninguém vai à cantina comer, isto não é para haver lucros, é para as pessoas comerem'. E se alguém não tivesse dinheiro, ainda podíamos dar seis ou sete sandes para quem não tivesse possibilidade. E não havia falta de respeito a professores, ou vice-versa, alguma coisa pegávamos no professor e no aluno e íamos com eles, púnhamo-los a conversar. Tínhamos normas e directivas e pautávamos-nos por aquilo; qualquer que fosse o partido, dentro do liceu, era tudo neutro, fora dali que fizessem o que quisessem. Às tantas já só ia a duas ou três aulas, não tinha tempo, mas pronto foi uma escola, aprendi muito.  O reitor aceitou a nossa opinião, mudou como pessoa; e ter ficado como professor teve ele muita sorte. Havia uma biblioteca que estava sempre fechada e nós começámos a abri-la; a pessoa levava um livro durante uma semana, se não o entregasse, pagava. Depois abrimos lá uma sala onde vendíamos sebentas e material, sempre sem lucro, e havendo, era para alguma coisa que faltasse. Passámos muitos Sábados a trabalhar. Depois começaram a aparecer professores mais novos, com maneiras diferentes de pensar, e os mais velhos mudaram - pediam-nos sempre autorização para fazer as coisas, andava tudo pianinho. Eu nunca decidia logo, dizia 'Oh Doutor, tenho que pôr à consideração das outras pessoas, eu não decido sozinho.' E pronto, foi assim. 


Pai

terça-feira, 23 de abril de 2019

diário de bordo, trezentos e cinquenta e três

. Netflix: cedi, finalmente
. Game of Thrones: ainda não cedi, felizmente
. Os meus pais e uma filha única: os pedidos de atenção; o amor é, também, estar(-lhes) disponível, presente - toda
. Não sou nem de perto nem de longe o que tencionava (expectava, imaginava, gostava); até agora, é o que se arranja
. Hoje, sonhei que tinha que treinar a fazer o número 5; explicação: o flagelo em que se está a tornar a minha letra, pensamento que me assombrou antes de dormir
. Nada é permanente, até que seja
. Tudo é permanente, até que não seja
. Outros

a viagem não chega, envios e entregas



Muy grata.

domingo, 21 de abril de 2019