sexta-feira, 5 de outubro de 2018

um pequeno interlúdio



2010

Trago comigo esta "casa de horta", onde o meu avô passava as tardes e os serões, o único sítio onde tinha água e luz. Era daqui que saíam os frascos de mel enrolados em jornal para não se partirem, e as colecções do Círculo de Leitores, e a luz de uma televisão. Hoje em dia é um terreno abandonado, uma casa a cair, nos quais não tenho capital para investir, mas onde tenho todo o meu coração porque... Impressionante como os meus primeiros 4 anos ficaram impressos para sempre. Cresci na estação de Portalegre e nela hei-de morrer de velhice e rabugice. Há lugares que nunca nos abandonarão e repetirei até à exaustão: num coração cabem todas as cordilheiras. Venham todas as montanhas, seremos capazes de as passar - belas que são; o vento é o nosso melhor amigo.