O “Patrimónios Sonoros Marítimos” é um projecto original que consiste no levantamento e divulgação do Património Sonoro associado à pesca do bacalhau. O Museu Marítimo desafiou o realizador Tiago Pereira e a Associação Música Portuguesa a Gostar Dela Própria a explorar uma dimensão inédita do extraordinário património relacionado com a pesca do bacalhau. O projeto é construído com a comunidade, ouvindo relatos e memórias do trabalho a bordo e em terra, no universo laboral da grande pesca. O trabalho de recolha e difusão centra-se na procura de aspetos e elementos sonoros relacionados com esta atividade e com o trabalho nas secas: canções, cançonetas, memórias musicadas, orações, sons do navio e dos dóris, ritmos do trabalho, testemunhos com ruído e melodia.
Foi mostrado um pouco do levantamento que está a ser feito, como é o caso do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo a cantar o "Tau tau tau, vira, vira". Tive o prazer de conhecer a D. Ermelinda que contou, entusiasmada, o quão era festeira e de como fugia de casa para ir aos bailes. Vi e ouvi, do andar de cima, um senhor a tocar e a cantar de dentro de uma embarcação enorme que o museu alberga. Que momento mais bonito. No entanto, e contradizendo deslumbramento, a minha cabeça já não sabe quem viu ao vivo e quem viu em vídeo (vivam as memórias fabricadas) e por isso deixo ambos: o Sr. João Grave e o Sr. Geraldo Cirineu; agora que penso sobre isto, talvez tenha sido o Sr. Geraldo. Descobri também, no decorrer da visita, que existe uma plataforma fantástica de nome Homens e Navios do Bacalhau, que é nada mais nada menos que a possibilidade de pesquisa de navios e pescadores (vejam só!) da pesca do bacalhau. Espectacular. Depois, e já cheia de uma catadupa de coisas dentro de mim, acabei a noite num espaço que conhecia, há anos, apenas pelo nome: Mercado Negro. Uma cidra, muita conversa e muito riso.
O mar é o único ser vivo que se alimenta de navios.*
*fui muito má menina e não apontei de quem é (de que livro é) esta citação linda.