Andava no liceu, depois nos primeiros anos de faculdade, e o que mais me dava prazer era seguir o trabalho (uma fotografia, uma criação, um post, um texto, fosse o que fosse) de quem eu mais admirava, ao invés de estudar Matemática I e II, Estatística I e II, Biologia I e II, por aí fora. Plataformas como o photoblog (photolog?), myspace, livejournal, deviantart, flickr, blogger, sapo, fórum lomográfico, fóruns de fotografia, eram as minhas delícias de fim-de-semana. Marília Campos, Daniel Camacho, Menina Azul, Little Black Spot, Joana Melo Rocha, Raquel Fialho, Rita Carmo, Bruno Espadana, Rita Cordeiro, Rosa Pomar, Luís Belo, Gonçalo Incendiário, Reticências e Outros Eteceteras, Nuno Sampaio, Joana Linda, Cláudia Faro Santos, Maria Rocha, Valter Vinagre, Alípio Padilha, Nelson d'Aires, Rita Lino, Miranda July, Loose Lips Sink Ships, A Trama, Menina Limão, Second Bus Home... Tantos. Pessoas e/ou os seus projectos*. Estruturas como a ANIMAL, também fizeram de mim o que sou hoje; da minha imatura juventude ia aprendendo com estas pessoas adultas e inspiradoras, certas de si, que lutavam pelos seus ideais sem nunca vergar. Do longe, também os fiz perto. Bem-haja a internet.
Fazia-me consumir de música e cinema dos quais os meus amigos não gostavam e/ou não conheciam, e acabava por não conversar com eles sobre, de forma a evitar ser conotada de. Tão imatura... Quem me dera ter sido a esquisita.
O liceu foi muito mau, nada a acrescentar. A faculdade foi muito boa, apesar de não saber o que andava a fazer - hoje percebo que não era o meu lugar -, e as pessoas foram (algumas ainda são) tudo para mim. Ambas as experiências moldaram-me, tal-qual barro.
A fotografia não vive apenas das, claro, fotografias. Vive de imagens que não são necessariamente fotografias per si. Isto é, um fotógrafo não se enche apenas de fotografia, traz consigo tudo, bebe do mundo ao seu redor. O que sai de si, é o resultado desse todo. Não faço ideia do que estou a falar, no entanto é a minha premissa, e sugiro que seja a de muitos.
Não fazia a mínima ideia de que ia esbarrar com o Teatro, nunca tinha passado por mim um único fio de pensamento sobre. Apenas as histórias do meu pai, às quais hoje dou uma importância avassaladora, a mesma com a qual ele sempre me contou entusiasmado. E há luz em mim como nunca houve até então, não fosse negro o meu casulo. Se não há coincidências? Não sei, não quero saber, terei raiva de quem sabe? Não. Sobre o Teatro e o que significa para mim, com tudo e todos a que tive direito, não conseguiria, de momento, escrever. Um dia, quem sabe. Fica a breve descrição de que me preenche na totalidade.
Tão grata a cada batimento, artístico e cardíaco, por cá andarem. É por estas e por outras que vale a pena. Isso e as notas do iphone, este psicólogo gratuito. Um bem-haja.
*Às vezes tenho necessidade de fazer chegar a minha admiração a estas pessoas e/ou projectos, através de um e-mail ou de uma mensagem, o que nem sempre é encarado de forma natural. Porquê? Nunca percebi, sinceramente. Não quero perceber, na verdade.